Os 10 melhores livros de autoajuda que valem a pena ler
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Talvez para poucas obras haja tantos trabalhos destinados a introduzi-las ou elucida-las como a de Jacques Lacan. Trata-se de uma condição peculiar onde o ponto de partida de um trajeto se localiza fora dele mesmo e o de sua compreensão conclusiva se projeta sobre um horizonte mais além. Essas linhas de fuga, que atestam a complexidade da obra e a impossibilidade de sua sistematização derradeira, remontam à advertência que Lacan faz a respeito de seus Escritos: são sobretudo para serem lidos, não compreendidos. Se o mesmo vale para os seminários, originalmente proferidos e hoje estabelecidos como escritos, temos que a obra lacaniana necessariamente engendra e mobiliza uma posição específica: a do leitor. É desse lugar singular que Luciano Mattuella generosamente nos escreve. Ao fazê-lo, nos brinda com a intimidade de sua leitura e a de sua prática clínica, como analista e analisante, articuladas às interrogações colocadas pela contemporaneidade. Isso é especialmente bem-vindo em um campo onde o recurso ao chavão sói encobrir a falta de crítica e de rigor, tornando dogmática uma obra que é criativa, construída em diálogo com seu tempo e com saberes antes não explorados pela psicanálise. Recusar-se ao lacanês, essa língua que insiste em sua repetição para conferir legitimidade a seus enunciados, é, por isso, um dos muitos méritos deste livro. Demonstra que a obra de Lacan produz sentido no encontro com o leitor, e não em uma perscrutação que busca nela mesma uma verdade final por detrás de uma linguagem enigmática a ser decifrada ou transmitida por representantes do mestre. Luciano Mattuella nos convida assim a ler Lacan e a construir nosso próprio – e incontornavelmente íntimo – itinerário pela psicanálise.
Luciano Assis Mattuella nasceu em Cuiabá (MT), mas reside em Porto Alegre desde a infância. É psicólogo (UFRGS), psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA), mestre em Filosofia (PUCRS) e doutor em Filosofia (PUCRS, com estágio doutoral na Université de Strasbourg). Realizou pós-doutorado no PPG Psicanálise: Clínica e Cultura (UFRGS), onde focou sua pesquisa na temática do diagnóstico na clínica psicanalítica contemporânea. Atualmente, tem realizado pesquisa na área de Psicopatologia, especialmente no que se refere ao trabalho clínico psicanalítico na interface com outras áreas como a Psiquiatra e a Filosofia. É autor de “Os futuros do passado: o resgate da interpretação como possibilidade de crítica da contemporaneidade em Freud, Levinas, Bloch e Benjamin" (Editora Fi, 2017) e “O corpo do analista” (Editora Artes & Ecos, 2020). Mantém prática clínica em consultório particular.
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