Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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Durante todo o período da escola e da universidade foram-me apresentados mapas da vida nos quais havia menos que um resquício de muitas das coisas com as quais eu mais me importava e que me pareciam extremamente relevantes para a condução da minha vida. Lembro-me de que vivi, durante muitos anos, em total atordoamento; e nenhum intérprete bondoso se aproximou para me ajudar. A sensação permaneceu até que deixei de suspeitar da sanidade de minhas percepções e comecei a desconfiar da integridade dos mapas. Os mapas produzidos pelo cientificismo materialista moderno ignoram todas as questões que realmente importam. Mais que isso, sequer sugerem algum caminho para uma resposta possível: negam a validade das questões. Quem pode nos guiar, ou ao menos apontar a direção que devemos seguir? Neste livro, vamos olhar para o mundo e tentar vê-lo por inteiro — o que se chama, às vezes, de “filosofar” — com o auxílio de um mapa que mostra onde estão as coisas; não todas, é claro, pois isso faria do mapa tão imenso quanto o mundo, mas as coisas mais notáveis, mais essenciais para a nossa orientação.Não há nada mais difícil do que tornar-se criticamente consciente dos pressupostos do pensamento. Tudo pode ser visto claramente, exceto o olho pelo qual se vê. Todo pensamento pode ser examinado, exceto o pensamento através do qual o examinamos. É necessário um esforço especial — um esforço de autoconsciência; a façanha do pensamento que recua sobre si mesmo.Uma observação atenta revela que a maioria de nós, na maior parte do tempo, comporta-se e age mecanicamente, como uma máquina. O poder exclusivamente humano da autoconsciência está desacordado, e o homem age como um animal — de maneira mais ou menos inteligente —, apenas em resposta às influências externas. É apenas quando o homem faz uso de seu poder de autoconsciência que ele se eleva ao nível de pessoa, ao nível da liberdade. Nesse momento ele está vivendo, e não sendo vivido.Nenhum assunto poderia ser de maior interesse; nenhum assunto ocupa lugar mais central em todos os ensinamentos tradicionais; e nenhum assunto é mais negligenciado, mal compreendido e distorcido no pensamento do mundo moderno.
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