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Palestina
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“Quando comecei a escrever este diário, imaginei que os livros e as palavras de Edward Said e a prosa poética de Mahmoud Darwish e Emile Habiby me bastariam para ter uma visão abrangente e aprofundada da situação na Palestina. Mas, quando fui mergulhando nas múltiplas interrogações da história, nos arquivos finalmente abertos, lidos e estudados, as narrativas começaram a causar dor, culpa, e me chocaram além de toda e qualquer proporção”. Um diário aberto: Palestina nasce dessa travessia intelectual e afetiva da artista Lena Bergstein em busca do conhecimento e da compreensão da chamada questão palestina. Gestado em anos de pesquisa, o livro consiste em uma investigação sensível e rigorosa da Nakba e dos acontecimentos que a antecederam, organizada em uma narrativa histórica que entrelaça testemunhos pessoais e reflexões poéticas sobre a dor da partida, a busca por um chão e um teto e a impossibilidade do retorno. Mais do que um libelo, esta obra é uma tentativa de construir “uma literatura que vá além do livro”, ao se confrontar com um passado e um presente que, no caso palestino, permanecem tragicamente indissociáveis.
Lena Bergstein, 1946, construiu sua trajetória a partir da gravura em metal, transformando a superfície da chapa em campo de memória, impressões e inscrições. Ao migrar para a pintura, manteve as palavras como elemento central de sua poética. Desde 1989, dialoga com o pensamento de Jacques Derrida, realizando leituras plásticas e poéticas de sua obra. Desse diálogo resultou a parceria com o filósofo no livro Enlouquecer o subjétil (1998), vencedor do Prêmio Jabuti em 1999. Sua pesquisa atravessa arte e escrita — tema que também desenvolve como professora e conferencista, refletindo sobre os caminhos paralelos dessas linguagens na história da arte.
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