Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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Que pode haver em Goethe que remeta para a vida na Argentina durante a ditadura militar? Que ligação há entre O Vento nos Salgueiros e a nostalgia de um expatriado que sofre à distância com o desaparecimento de uma amiga? Será possível ler a invasão do Iraque em Dom Quixote? E que recordações paternas despertam num filho que lê Margaret Atwood 20 anos depois de perder o pai? Quando se abre um livro, não se encontra só a história que está nas páginas. Associações, memórias, amigos, outras leituras, barulhos que chegam da rua, o lar, as notícias da aldeia e do mundo e até a identidade de quem lê, tudo se mistura no acto da leitura. Ao longo de um ano, Alberto Manguel regressa a 12 dos seus livros preferidos (mais um, Viagens na Minha Terra, acrescentado exclusivamente para a edição portuguesa) e anota num registo diferente do habitual, mais íntimo, diarístico, mês a mês, essa ligação directa entre a literatura e a vida - uma ligação que qualquer grande leitor sabe que é impossível desfazer.
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