Os melhores livros de ficção para quem quer começar a ler
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“O romance do senhor Lima Barreto, se não alvorotou a imprensa, impressionou fortemente quantos o leram. Não tenho ouvido a tal respeito uma opinião discrepante. É um grande livro, por consenso comum. A única pecha de que o tenho ouvido culpar, não me parece absolutamente justa. Refere-se à linguagem, ou melhor, ao estilo, julgado menos cuidado e por vezes incorreto, por ser a linguagem simples e propositalmente desataviada. Por idêntico motivo era Eça de Queirós no começo tachado de escrever mal. O senhor Lima Barreto procura felizmente não escrever bonito: antes, mil vezes antes, singelo, familiar mesmo, do que pernóstico”. — Oliveira Lima, em resenha publicada n’O Estado de S. Paulo, em 1916.
Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) foi um jornalista escritor nascido no Rio de Janeiro. Era filho de João Henriques de Lima Barreto (mulato nascido liberto) e de Amália Augusta Barreto (filha de escrava liberta da família Pereira de Carvalho). Seu pai foi tipógrafo talentoso. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o famoso periódico. A semana ilustrada. Sua mãe foi educada com esmero, tendo obtido diploma de professora. Ela morreu cedo, e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal, como tipógrafo e como paginador no jornal Tribuna Liberal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas de seu pai do fim do período imperial no Brasil, bem como suas remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância viriam a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano. Lima Barreto, mulato e, portanto, vítima do racismo num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar. Seus primeiros estudos foram realizados na cidade de Niterói. Logo depois se transferiu para a única instituição pública de ensino secundário da época, o conceituado Colégio Pedro II, no centro do Rio de Janeiro, cujos estudantes eram oriundos basicamente da elite econômica. No ano de 1897, aluno acima da média, foi admitido no curso de engenharia da Escola Politécnica, no Largo de São Francisco, porém foi obrigado a abandoná-lo em 1902 para assumir o sustento dos irmãos, já que seu pai enlouquecera. Data dessa época sua entrada no serviço público, exercendo a função de amanuense na Secretaria da Guerra. O cargo, somado às muitas colaborações em diversos órgãos da imprensa escrita, garantia-lhe algum sustento financeiro. Não obstante, o escritor só veio a ser reconhecido fundamental para a Literatura Brasileira após seu falecimento Possuindo altas qualidades de psicólogo e de retratista de almas, não podia deixar de ser, como foi, excelente romancista. Agripino Grieco, em sua Evolução da prosa brasileira, afirma: “a esse mestiço morto aos quarenta anos, carapinhento e malvestido, sem medalhas e títulos acadêmicos, forçoso é que retornem os nossos prosadores quando quiserem ultimar o grande romance realmente brasileiro” Lima Barreto escreveu Recordações do escrivão Isaías Caminha (Lisboa, 1909), romance que foi a sua estréia, Triste fim de Policarpo Quaresma (1915), Numa e a ninfa (1915), Vida e morte de J. Gonzaga de Sá (1919), Histórias e sonhos (1920), Os bruzundangas (1922). Mas além dessas obras parece ter deixado os originais completos de dois outros romances. Morreu prematuramente em decorrência do vício do álcool, que por mais de uma vez o levou ao hospício. Amigos e admiradores ergueram-lhe um busto de bronze na Ilha do Governador.
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