Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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“Se é preciso filosofar, é preciso filosofar; se não é preciso filosofar, também é preciso filosofar. Pois, se a filosofia existe, todos estamos de alguma forma obrigados a filosofar, dado que ela existe. Mas se não existe, estamos obrigados a investigar por que não existe. Investigando, filosofamos, pois investigar é a causa da filosofia.” A passagem é de Aristóteles (384/383 – 322 a.C.), o maior filósofo da Antiguidade. Ingressou muito jovem na Academia de Platão, que reunia estudiosos de todo o mundo grego, e lá passou vinte anos. Educou Alexandre, o maior estadista de seu tempo. Depois se dedicou ao Liceu, seguindo o modelo platônico de amizade e liberdade para os alunos, sempre com as portas abertas, com um lugar – o perípatos – destinado a caminhadas em grupo. Depois de sua morte, sua biblioteca pessoal ficou com Neleu, que a levou para a cidade de Scepse, onde permaneceu longamente esquecida, felizmente guardada. Cerca de trezentos anos depois, Andrônico de Rodesorganizou em um só livro um conjunto de rolos de papiro, até então autônomos, e os intitulou Metafísica, palavra que o próprio Aristóteles nunca empregou. Preferia “filosofia primeira” ou “teologia”, em contraposição à “filosofia segunda” ou “física”. Metafísica passou a designar, desde então, a tentativa filosófica de transcender o mundo empírico e alcançar a realidade metaempírica. Em diferentes partes de sua filosofia primeira, Aristóteles diz que procura as causas e os primeiros princípios, analisa o ser como ser, investiga o Deus supra-sensível e examina a substância. São quatro definições da metafísica. Neste livro, Susana de Castro estuda as três primeiras. Em A teoria aristotélica da substância, também publicado pela Contraponto e a Editora da PUC-RJ, concentra-se na quarta definição. Lidos em conjunto, Três formulações... e A teoria aristotélica... propõem uma fecunda reinterpretação desse livro fundamental.
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