Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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Houve um tempo em que se falava com orgulho e indignação em defesa dos oprimidos e sofridos da terra – mas falava-se em seu nome. Foucault foi aquele, segundo Deleuze, quem nos ensinou a indignidade de falar “pelos” outros. A partir daí, era preciso ouvir a voz daqueles que sempre foram “representados” por outros: prisioneiros, loucos, drogaditos, prostitutas. Mas qual voz diria a dor dos que foram exterminados e cujo desaparecimento é tão gritante quanto seu silêncio? O livro que o leitor tem em mãos responde a essa urgência de maneira tocante e aguda. Fruto de uma investigação coletiva, aparece assim uma extraordinária arqueologia da infâmia. Realizada a partir dos cenários da infâmia que nos rodeiam, como o dos presos da ditadura militar ou do território da prostituição ou mesmo da escola, se entrevê um fragmento da história do presente. Prepare-se o leitor para o detalhe mais ínfimo à macro-história, ele percorrerá com terror, espanto e ternura, um continente em tudo des/conhecido.
Doutora, professora titular do Instituto de Psicologia da UFRGS, docente e pesquisadora dos Programas de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional e de Informática Educativa, autora de e organizadora de diversas obras da área, coordenadora da Coleção Cartografias.
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