Filosofia para quem não é filósofo: os melhores livros para começar
A filosofia parece intimidadora, mas suas perguntas são as mais humanas que existem. Uma seleção de livros que tornam o pensamento filosófico acessível, relevante e fascinante.
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Neste tempo de nacionalidades instáveis, em que, depois de movimentos de relativização de limites entre centros e periferias, observa-se o recrudescimento de fechamentos de fronteiras nacionais, faz-se importante revisitar percursos da literatura brasileira, do momento dado como de sua formação até a contemporaneidade. Daí a ideia de se estudar a configuração de projetos de escrita delineando territórios textuais na composição móvel da série literária brasileira em seus diálogos com outras artes, fazendo dialogar Alencar e Machado de Assis, Alencar e Mario de Andrade, Machado de Assis e Silviano Santiago e este com Graciliano Ramos. Acolhe-se ainda a produção de Raul Bopp, Clarice Lispector, Augusto de Campos. Autran Dourado, Rubens Figueiredo, Maria Valéria Rezende e outros, para verificar como se configuram seus projetos estéticos, levando em conta a questão do lugar da literatura e seus agentes na formação de territórios. Para isso, comparam-se obras dos autores em pauta, observando seu movimento dialógico no jogo de produção e recepção uns dos outros, na formação de territorialidades, extraterritorialidades, nacionalidades e transnacionalidades. Nesse contexto, examinam-se movimentos antropofágicos entre as obras, seja da antropofagia dada como movimento estético brasileiro, seja a dada como fruto da recursividade natural das culturas, porque constituinte da mente humana. Analisando os processos enunciativos das obras, seus sujeitos, tempos e espaços, observa-se, pois, como se dá a intervenção do intelectual/ escritor/artista no espaço público, com atenção especial para a mudança de seu estatuto e de sua função através do tempo, sempre sob o horizonte da relação entre estética, ética e política, na configuração de uma história constelar da literatura brasileira em seus movimentos centrípetos e centrífugos.
Doutora em Literatura Comparada e Teoria Literária pela USP, com pós-doutorado na Universidade de Ottawa, Canadá; professora aposentada dos Programas de Pós-Graduação em Letras da PUC Minas e da UFMG; pesquisadora nível 1 C do CNPq. Entre suas publicações os livros, A rua da literatura e a literatura da rua (Editora da UFMG, 2014) e, em coautoria com Raquel Guimarães: Literatura marginal e sua crítica (HUCITEC, 2018), além de capítulos de livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais, com destaque para “Le récit brésilien contemporain: des antologies et des tendaces”, publicado no livro Cartographies littéraires du Brésil actuel, organizado por Rita Olivieri Godet (Editora P.I.E. Peter Lang, Bruxelas, 2016); “Literatura comparada e a formação da linguagem”, publicado no livro A literatura comparada no Brasil hoje, organizado por Edgar Cézar Nolasco (Campinas: Pontes, 2022, v. 1); e “Escrita e cicatriz: da colonização à prisão”, Estudos Ibero-Americanos, v. 45, 2019.
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