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Um Herege nas Minas de Ouro
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Romance histórico ambientado nas primeiras décadas do Século XVIII, o livro Terra prometida, de autoria do jornalista Américo Antunes, tem como fio condutor os manuscritos proibidos de um cristão-novo baiano, Álvaro Lopes, que se aventura nas minas na corrida do ouro e dos diamantes. Lançado pela Alameda Editorial, o livro é resultado de minuciosas pesquisas históricas realizadas pelo autor e que ganham vida na narrativa do aventureiro que carrega “nas veias o sangue impuro de cristão-novo misturado aos dos gentios da terra brasílica”. A luta ferrenha entre paulistas, forasteiros e agentes da Coroa portuguesa pela posse do ouro e dos diamantes das minas recém-descobertas e o embate entre as heresias e a fé católica e a Inquisição compõem o pano de fundo da obra. Em 1702, Álvaro chega às minas, tornando-se tanto testemunha privilegiada da guerra, motins e revoltas que levam à criação da Capitania das Minas Gerais, quanto mercador e artífice de uma rede de contrabando que liga as lavras diamantinas do Serro Frio a Amsterdã, na Europa. Em torno desses lendários acontecimentos históricos, Américo tece uma história de fé dividida e medo, de cobiça e luta pelo poder. “Fatos já tratados pelos acadêmicos em estudos definitivos, como a Guerra dos Emboabas, a perseguição dos cristãos-novos, a relação com a Coroa, o jogo de interesses entre regiões, as sutilezas nada gentis da formação eclesiástica, a influência de padre Vieira na inteligência brasileira, a voracidade do fisco, a construção de vilas e caminhos, tudo isso ganha o ar de uma fantasia, que é ainda mais espantosa por ser real. Atestado pelo testemunho direto de Álvaro Lopes – ou pelo que ele ouviu falar, essa fonte inconstante de outras verdades – o romance guia a curiosidade sobre o passado como uma chave para nossos insolvíveis dilemas”, escreveu o jornalista João Paulo Cunha na apresentação do livro. Festival de História --------------------------------------------- “O jornalista Américo Antunes, romancista puro e sem a jaça da objetividade incabível em histórias maravilhosas, amplia nosso olhar sobre a idade de ouro do Brasil, muito além apenas do metal preto de Vila Rica e das pedras que brilham do Tijuco. Mas também nos compromete com os outros eldorados que vimos se alevantar e morrer no ocaso da injustiça, a exploração sem medida e da falta de zelo com a terra e suas gentes. Esgotados os minerais, ficou o cascalho e nenhum benefício. Não parece uma história superada, e sim um desafio redivivo a cada geração, em busca de novas e necessárias heresias”. João Paulo Cunha Jornalista
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