Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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No final do século XVI e início do XVII na Espanha, período conhecido como o "Século de Ouro", um novo gênero teatral se configurava, saído das festas populares que lhe propiciavam ocasião e público. Um tipo de peça curta inicialmente limitado aos entreatos e finais de peças "sérias", o entremez. Com seu humor carnal, satírico e cru, visava sobretudo entreter. No entanto, livres das amarras da tradição que definia o que deveria ser a arte de boa estirpe, autores como Cervantes, Calderón de La Barca, Lope de Rueda, Francisco de Quevedo y Villegas e Agustín Moreto y Cavana, entre outros, mostravam nessas peças a natureza humana sem retoques, em toda a sua feroz e ridícula mesquinhez. Lançando mão de recursos criativos como a intertextualidade, a paródia e a música, eles fizeram arte elevada dos nossos mais baixos instintos, de uma forma que ainda hoje é moderna. Teatro Breve do Século de Ouro é a primeira coletânea entre nós dedicada a esse gênero, resgatando uma das origens do teatro ocidental e complementando a seleção de dramaturgia de Teatro Espanhol do Século de Ouro.
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