Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
E Outros Poemas
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
A expressão “sujar o ninho” se refere ao ato de atacar o lugar mesmo que nos acolhe, aquele onde vive nossa primeira identidade. Este livro é um registro do percurso do olhar do poeta desde seu ninho, refletindo sobre o que lhe diz cada coisa, cada elemento que compõe sua pessoa e participa do constructo que é sua vida. Os poemas visitam o universo ilimitado da memória para falar do espanto e da nódoa de estar no mundo, mas também de ternura e desamparo. E o fazem com brio: a poesia de Luiz Meyer surpreende ao não se entregar ao que poderia haver de melancólico no sentimento de perda; ao contrário, é a voz de um poeta que conhece o valor do desaforo, da risada irônica para falar do que pesa. Partindo do que está mais perto — os afetos de fundação — e logo se estendendo mais e mais, alçando-se, o olhar sensível conquista o horizonte até além, até a esfera política (para o mundo) e religiosa (para os arcanos do espírito). O Brasil — o cadinho e a esbórnia — está presente, escangalhado pelos predadores de todos os tempos, até os atuais “conjurados do altiplano”. Em seguida, sempre ampliando o escopo do que é visto, vêm os arcanos judaico-cristãos: Abraão, venal, puxa-saco de Deus, e seu filho e vítima, Isaac, o inocente-básico. A fábula moral também está em Moisés, que ao trair o seio-mãe e se afastar da beleza, ao buscar o encontro com o divino, opta pelo combate, pela busca do poder, e encontra o vazio existencial… Em sua sensibilidade peculiar, a poética de Luiz Meyer exprime com veemência a dificuldade do encontro com o mundo. Ao mesmo tempo em que busca o rigor do significado, é uma linguagem que explora o prazer das palavras em várias vozes: a austera, do profeta, a descarada, do provocador, a obscena, do iconoclasta — e também a enternecida, ao falar dos primeiros afetos. A coda do livro é uma molecagem bem-humorada: descreve o velório do autor nos mínimos detalhes, planejado adrede. Ardiloso, o poeta “pula o quadro de acesso” e finaliza o assunto com um vigoroso “basta”. Heloisa Jahn
Luiz Meyer nasceu em São Paulo em 1938, onde mora e trabalha como psicanalista e professor na Sociedade Brasileira de Psicanalise de São Paulo. Após formar-se em medicina fez sua pós-graduação em Paris, Genebra (onde apresentou seu doutorado) e Londres onde foi visiting scientist no Departamento de família e adolescente da Clinica Tavistock. Publicou os livros: Família, Dinâmica e Terapia: uma abordagem psicanalitica (Casa do Psicologo), Rumor na Escuta: ensaios de psicanalise (Editora 34), Navegação Inquieta: ensaios de psicanalise (Editora Blucher). Na área de poesia publicou Réu Confesso (Editora Ateliê).
Outros livros de Luiz Meyer
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
A ficção científica não é sobre foguetes e robôs, é sobre o que nos torna humanos diante do desconhecido. Um guia pelos subgêneros, clássicos imperdíveis e como entrar no universo.
Trocar 30 minutos de scroll por 30 minutos de leitura antes de dormir melhora o sono, reduz a ansiedade e ainda te faz ler 20+ livros por ano. Veja como implementar.
Para escolas, universidades, autores e editoras