Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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Solo de sabiá é uma passagem pelo trem da vida de Paulo Rodrigues de Oliveira, o homem, o médico, o marido, o filho, o amigo. Com várias demonstrações de consideração e afeto, o livro viaja em temas como o amor e a preocupação materna, a ternura no atendimento a cada pessoa, a compaixão no trato com os pacientes, as viagens, seus casos especiais e marcantes dentro da Medicina, as lembranças dos tempos de menino no Grajaú, as escolhas éticas e as reflexões acerca dessa história bonita, mas muitas vezes complexa. Com uma rica vivência não só profissional, mas de existência, o autor nos apresenta um livro recheado de episódios ora divertidos, ora emocionantes, num amálgama de crônicas curtas e espirituosas. A repercussão pós-leitura pode ser resumida na fala de um dos personagens: “os dias passam depressa, mas os anos são como relâmpagos”. O desafio de envelhecer, as perdas afetivas, as percepções da solidão ao atravessar os anos, a saudade dos amigos que partiram e “as falências e deficiências da velhice” são explorados de maneira tocante. Ao virarmos a última página do livro, ficamos com a sensação de que a vida pode ser um fado em dueto, um solo de passarinho, um jazz mais encorpado: basta conduzirmos o caminho com traquejo e leveza.
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