Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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William Shakespeare (1564-1616) foi, sem margem para discussão, o mais importante escritor de língua inglesa de todos os tempos. A seu respeito são publicados a cada ano centenas de estudos pelo mundo afora. No entanto, quase nada se sabe acerca de sua vida. As imagens de seu rosto que nos habituamos a reconhecer, por exemplo, ou foram feitas por artistas que não o conheceram ou simplesmente são retratos de outra pessoa. E sua própria assinatura aparece grafada de maneiras diferentes nos seis documentos sobreviventes firmados de próprio punho pelo escritor. É em torno desse paradoxo que se desenvolve este pequeno e robusto livro. Ao longo dos últimos quatro séculos, com base nos escassos dados biográficos do bardo de Stratford-upon-Avon, leitores, críticos e estudiosos construíram seus diferentes Shakespeares. Algumas teorias são extravagantes ao extremo. Para uns, a obra shakespeariana teria sido escrita pelo filósofo Francis Bacon; para outros, por um grupo de sábios; para outros ainda, por uma mulher. Boa parte deste volume se dedica a refutar uma a uma essas fantasias, limpando o terreno para que possamos começar a conhecer, ou pelo menos a intuir, quem foi de fato esse escritor tão extraordinário. Servindo-se de uma extensa e rigorosa pesquisa de documentos primários e estudos sobre Shakespeare, além de uma leitura arguta de sua própria obra poética e teatral, o autor empreende uma verdadeira história do cotidiano da Inglaterra na época do bardo, sobretudo na conturbada Londres elizabetana e jacobina, onde ele brilhou como ator e dramaturgo durante pouco mais de vinte anos. O resultado desse empenho é um relato caloroso e cheio de humor que não dissipa - nem pretende fazê-lo - as espessas brumas que envolvem a figura de Shakespeare, mas transmite ao leitor de hoje a dimensão humana de um dos maiores gênios que a literatura já produziu.
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