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Literatura Brasileira

SermõEs

1ª Edição - 2015208 páginasIluminuraspt
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Sinopse

Quando, em 2011, o Nuno me pediu que lesse esta obra, queria uma resposta para a questão que se colocam os escritores inteligentes - se o que fizeram merece nascimento. A par, revelou-me que a coisa ficara maluca. Corajosos, sábios os que questionam a maluqueira sem resposta da existência humana!, sejam eles Platão, o filósofo que baniu os poetas da República, ou o protagonista deste Sermões, professor de filosofia reformado, autobanido tornado poeta. Obsceno significa, etimologicamente, fora de cena. Esse, o lugar dos exilados. Respondo que, além de nascimento, este livro merece júbilo, celebração. Não são hoje os leitores dos poetas, como os poetas, exilados? No espaço linguístico e cultural da língua portuguesa europeia e sul-americana, o vocábulo sermões remete ao padre Antônio Vieira (Lisboa, 1608 - Salvador/ BA, 1697), cuja vida de pregador ecoa em nossa memória cultural coletiva. Um sermão é uma obra de circunstância aplicada a uma ocasião (litúrgica, da vida política, religiosa ou institucional). O autor está fisicamente envolvido no sermão enquanto pregador, oferecendo o corpo, a voz, o pensamento à assembleia. Uma componente biográfica marca tanto a leitura pública (forma sui generis de publicação) quanto a redação. - Fernanda Mirra de Barros. Autobiográfico, o protagonista de Sermões escreve para si sobre si, não para se comemorar mas para se registrar, nisso condensando as questões identitárias que todos os seres humanos se colocam alguma vez. Quem sou? O que faço aqui? Vale a pena? Subjacente, a dúvida quanto ao valor das condutas humanas que parecem esvaziadas dele (o cio cego, por exemplo) e, consequentemente, as questões do suicídio e da loucura. Coisa maluca. Se a identidade não é suficiente, então não é autêntica aqui, a demanda por mais identidade é feita no registro das experiências, mostrando que o entendimento depende da forma discursiva. A reflexão prévia ao entendimento surge não no ato, mas no ato em diferido registrado, isto é, na obra. É no registro do físico (a cópula) que o professor de filosofia arranca. Questionar o físico almeja o metafísico (o sentido). A carne, feita verbo, torna-se metafísica e faz-se verso, ou seja - poética. Laica ou sagrada, a oratória foi sempre cívica. Oratória é, como a poesia, trabalho de linguagem. Lugar difícil e obsceno, cuja grandeza se define a posteriori pelo jogo entre força e forma, a poesia suscita emoções estéticas mas também amorosas. Nisso, não dista das experiências religiosas - ambas se elevam a aperfeiçoamentos que não podemos senão considerar também malucos. A construção desta obra notável esteve amarrada a uma trama mínima - a qual surge sintetizada, como bônus para o leitor, em nota final ao livro.

Detalhes do livro

Título
SermõEs
Autor
Nuno Ramos
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
208 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573214536
Edição
1ª Edição - 2015
Formato
Brochura

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