Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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A obra de Mário de Andrade é atravessada por uma profunda inquietação em torno do sexo. Pulsante e permanente, essa inquietação se traduz tanto na exploração do domínio erótico, de notável amplitude, quanto na incessante busca formal que o tema lhe impõe sem descanso. Na tentativa de reconhecer a silhueta de Eros nas tantas faces que o próprio escritor se atribuiu, sua produção literária se vale dos mais diversos recursos formais para dar conta de uma dimensão que parece continuamente escapar. Daí que o sexo venha a ser alçado ao patamar das suas grandes interrogações, onde se oferece na obscura qualidade de incógnita. Foi a partir dessas constatações que Eliane Robert Moraes concebeu a Seleta erótica de Mário de Andrade, desdobrando-as em diversas perguntas pontuais, sem perder o foco na tópica da sexualidade. Conforme a pesquisa ganhou corpo, as questões foram se organizando até resultar nas oito partes que compõem a presente Seleta, a saber: “Artes de brincar”, “O corpo da cidade”, “Coisas de sarapantar”, “Presença da dona ausente”, “Imoralidades e desmoralidades”, “Prazeres indestinados”, “Brasileirismos, safadagens e porcarias” e “Confidências e confissões: alguma correspondência”. Fruto de uma visitação intensiva aos escritos do autor, o trabalho de seleção buscou contemplar tanto a variedade de gêneros por ele praticada quanto as diversas fases de sua obra, sem negligenciar aspectos biográficos ou editorias. Embora o volume tenha privilegiado os títulos mais representativos em termos de erotismo, com particular atenção aos textos canônicos, considerou-se pertinente apresentar exemplos da “obra imatura”, ainda pouco conhecida, além de amostras da grande massa de manuscritos ainda não publicada A decisão editorial, contudo, foi pautada pela riqueza da erótica marioandradina, que se manifesta de forma vigorosa em todo seu conjunto.
Eliane Robert Moraes é professora de literatura brasileira na FFLCH-USP e pesquisadora do CNPq. É autora de diversos livros, dentre os quais estão: O corpo impossível (Iluminuras/Fapesp, 2016), Lições de Sade: ensaios sobre a imaginação libertina (Iluminuras, 2011) e Perversos, amantes e outros trágicos (Iluminuras, 2013). Traduziu a História do olho, de Georges Bataille (Companhia das Letras, 2018), e organizou a Antologia da poesia erótica brasileira (Ateliê, 2015), publicada em Portugal (Tinta da China, 2017). Também assina a organização do livro O corpo descoberto: contos eróticos brasileiros 1852/1922 (Cepe, 2018), que integra uma Antologia do conto erótico brasileiro a ser completada com o título O corpo desvelado (Cepe, no prelo).
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