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Leituras Interseccionais sobre Conflitos Urbanos
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A tentativa de trazer o conceito de interseccionalidade para o debate sobre o direito à cidade sinaliza um esforço de continuar dialogando diretamente com Lefebvre, mas indo além de suas formulações. Em boa medida, as questões relativas à interseccionalidade ganharam evidência em várias frentes do debate acadêmico nas últimas décadas em razão do protagonismo das lutas feministas e antirracistas em nível global. Muito embora o fim da Guerra Fria e o suposto “declínio” do marxismo tenham contribuído para dar mais centralidade a temas como raça, gênero e sexualidade (dentre outros), de modo algum o conceito de interseccionalidade pressupõe o abandono da discussão sobre classe social. Muito pelo contrário: o que se almeja é justamente uma ampliação do escopo da análise, entendendo como diferentes marcadores sociais se sobrepõem na construção de sistemas de poder e de opressão. Em geral, muitas análises acadêmicas acabaram por secundarizar o debate sobre classe como fator explicativo dos conflitos sociais ao longo das últimas décadas. Mas esta não é a postura adotada neste livro. Enquanto metáfora “espacial”, a interseccionalidade se constitui em uma ferramenta particularmente útil para o campo dos estudos urbanos em geral, e para o debate sobre segregação e direito à cidade em particular. Como demonstrado pelos textos desta coletânea, ao se considerar a lógica das desigualdades urbanas no Brasil, é praticamente inevitável recorrer à uma análise interseccional para a interpretação de tais processos. Não se trata de uma questão de “recorte analítico”, mas de conferir a devida atenção para a realidade empírica que nos cerca – capacitando-nos para teorizar devidamente sobre ela. Com textos de: Brenda Ondina Castro de Souza, Daniel Contreira Falleiros, Danilo Ferreira Alexandre, Íris Leonhardt Pavan, João Lucas Campos, Júlia Ferreira de Cássia, Lara Caldas, Larissa Silva Sena, Laura Freire dos Santos, Letícia Oliveira Pena, Maria Clara Araújo dos Santos, Natália Teixeira de Oliveira, Nhauana Heloísa Ribeiro Alves, Pedro Buriti Borges, Pedro Henrique Queiroz, Ruhana Luciano de França, Talita Aires Gomes de Mello e Thiago Trindade.
é professor e atual Vice-Diretor (2024-2028) do Instituto de Ciência Política (IPOL) da Universidade de Brasília (UnB), e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da mesma instituição. É coordenador do Núcleo Brasília do INCT Observatório das Metrópoles, integrante da coordenação do Grupo de Pesquisa Geopolítica e Urbanização Periférica (Geourb) e pesquisador do Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (ObservaDF).
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