Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
A insensibilidade e a vacilação moral dos homens que acabavam de acompanhar a devastação da bomba atômica, no desfecho de uma grande guerra, atormentavam Lucia Miguel Pereira. A autora perfila-se, com o autor de O Estrangeiro, como "testemunha" destes tempos: "Um mundo povoado de seres estranhos uns aos outros, de seres trancados, incomunicáveis, é um mundo que não merece sobreviver, é o nosso mundo. A frigidez, a impassibilidade, eis o grande pecado de nossa época, o que dificilmente nos será perdoado. Essa mutilação do homem moderno, ninguém a desvendou como Albert Camus. Certo, é sempre arriscado predizer a duração das obras contemporâneas, mas se, mais tarde, alguém quiser saber como era o homem da era da bomba atômica, bastar-lhe-á ler esse escritor conciso e seco. E terá a visão de indivíduos sem ternura, sem vida interior, sem meios de sair de si", escreveu, na segunda metade dos anos 40. O contundente depoimento da escritora, cuja obra crítica dispersa já havia sido apresentada por esta editora em A Leitora e seus Personagens e em Escritos da Maturidade, orienta a seleção dos artigos reunidos neste novo volume. Produzidos entre 1947 e 1955 para periódicos do Rio de Janeiro e de São Paulo, permaneceram até agora inéditos em livro e constituem importante contribuição para que se compreenda o percurso de uma das mais refinadas intelectuais do século XX. Biógrafa de Machado de Assis e Gonçalves Dias, pesquisadora que revelou ao Brasil a obra até então ignorada de Manuel de Oliveira Paiva, historiadora, romancista e tradutora, Lucia reafirma, neste livro, a qualidade analítica já apontada nos volumes anteriores. Contemporânea de T. S. Eliot, Edmund Wilson, Henry James e George Orwell, autores que também pensaram a literatura em diálogo direto com as suas condições de produção e o ambiente político de sua circulação, ela expande suas leituras, antes concentradas na produção nacional - não sem deixar de dizer, por exemplo, que Memórias do Cárcere eram a obra-prima de Graciliano Ramos - para se dedicar às criações de Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Jean Genet. Com entusiasmo, registra o aparecimento de Graham Greene, Françoise Sagan e Simone Weil, além de Machado de Assis, Andre Gide e Marcel Proust. Teorizou sobre as dificuldades da tradução e sobre modos de ler, preocupada com a consolidação do público leitor. Mais de uma vez, recuperou histórias de personagens femininas - ficcionais ou não - iniciando um debate inédito sobre as questões de gênero que a morte precoce em acidente aéreo, no ano de 1959, interrompeu.
Outros livros de Lucia Miguel Pereira
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
Boa biografia não é cronologia de vida, é imersão numa mente. Uma seleção das biografias mais absurdamente envolventes, que você devora sem perceber que está aprendendo história.
Biografias permitem viver outras vidas sem sair do sofá. Uma seleção das memórias e biografias mais fascinantes dos últimos anos, de gênios, sobreviventes e revolucionários.
Para escolas, universidades, autores e editoras