Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
A HistóRia de Ruth Andreas-Friedrich, a Jornalista Que Desafiou o Nazismo
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Uma história emocionante que se passa durante os anos da Segunda Guerra, em Berlim. De dia, a jornalista alemã Ruth trabalhava para a revista feminina Die junge Dame (A jovem senhora) e, à noite, salvava desconhecidos, amigos e conhecidos judeus, abrigando-os em sua casa. Pessoas como Ruth arriscaram suas vidas fazendo uso da coragem civil para salvar cinco mil pessoas na Alemanha. Em Berlim, 1.700 conseguiram sobreviver com a ajuda de corajosos civis. Em seu novo e supreendente livro, a escritora e jornalista carioca radicada na Alemanha Luciana Rangel se debruça sobre a mulher à frente de seu tempo que foi Ruth, assim como do diário que a alemã deixou e que não é preenchido somente com fatos, mas também com sentimentos, perspectivas individuais, lembranças e pistas de um tempo, uma época, um estilo de vida e uma geração, como neste trecho em que ela nos aponta a dificuldade da comunicação entre os que queriam ajudar. Do diário de Ruth, 11 de novembro de 1938: “Quase todos meus amigos abrigam pessoas. Quando conversamos uns com os outros, falamos em código. Quebra-se a cabeça por horas para tentar entender o que o parceiro do outro lado da linha quis dizer: quem diabos é Karl? Que Gehard? Que crianças são essas? Não faço ideia de quem possa ser, mas cresce o treino para o fim do mundo, e a cada hora aumenta o talento de decifrar combinações.” A bela capa da obra foi feita pela artista polonesa radicada em Londres Barbara Gibson, uma das mais conceituadas designers gráficas da Europa no momento.
Luciana Rangel é jornalista e escritora carioca. Mora na Alemanha desde 2005. Em sua trajetória, soma experiência na imprensa internacional e nacio - nal. Suas produções sobre história, política e cultura foram premiadas pela União Europeia e TV Globo. Recebeu também o Prêmio Petro - bras pelo documentário Brasil: País da saudade. Como autora, participou da antologia bilíngue Saudade é uma palavra estragada (Bübül Verlag), de Escrever Berlim (Nós) e do Salão de Outono do Teatro Maxim-Gorki de Berlim. É doutoranda do Instituto Latino-Americano da Universidade de Bielefeld. Seu livro Está (quase) tudo bem, publicado em 2020 pela Folhas de Relva Edições foi publicado na Alemanha pela editora Hagebutte Verlag, recebendo o Prêmio de Melhor Livro do Ano do Ministério da Cultura e da Ciência da Baviera.
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