Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
Contos EróTicos
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Uma das raras vozes surrealistas da literatura latino-americana, a uruguaia Marosa di Giorgio estreia no Brasil com livro de contos eróticos, pela coleção Sete Chaves Animais, folhas, flores, pedras preciosas, fluidos incontroláveis. O universo erótico de Marosa di Giorgio é personalíssimo e espantoso em sua exploração dos mistérios do corpo. Considerada uma das raras vozes surrealistas da literatura latino-americana, a uruguaia desenvolve narrativas em que o absurdo se apresenta em imagem alucinatórias, vivenciadas sem espanto pelos personagens. Nos contos, uma mulher copula com um furão; outra bota ovos; um olho nasce nas costas de uma terceira; outra ainda, muito jovem e recém-iniciada na vida sexual, se autofecunda e acredita que está se tornando Deus. As surpresas se sucedem em quarenta histórias breves, sob o nome Lumínile (luminosidade, em romeno), mais a narrativa extensa que dá título à coletânea, última obra publicada pela escritora, em 2003. As heroínas de Di Giorgio são mulheres, amiúde em seus momentos de desvirginização ou casamento. São tão importantes seus atos quanto as formas que brotam de seus corpos em mutações espontâneas.
A inquieta escritora, cujo nome de batismo era María Rosa di Giorgio Médici, define assim seus primeiros dias: “Vim à luz neste florido e espelhante Salto de Uruguai, faz um século, ou ontem mesmo, ou mesmo agora, porque a cada instante estou nascendo. Era lá por junho, um domingo, na metade do dia”. Di Giorgio era descendente de imigrantes italianos e bascos, donos de uma propriedade na zona rural de Salto. Era uma família devota do catolicismo, que a escritora transformaria numa religiosidade pagã muito evidente em seus escritos. Quando jovem, integrou um grupo de teatro como atriz. Di Giorgio morou grande parte da vida com sua mãe, cuja morte a inspirou a escrever o livro Diamelas a Clementina Medici. Reuniu seus 14 livros de poemas em dois volumes sob o título Los papeles salvajes (1989 e 1991). Entre as obras de cunho erótico, publicou Misales (1993), Camino de las pedrerías (1997) e Reina Amelia (1999). Di Giorgio morreu aos 72 anos, em Montevideu, cidade na qual vivia desde 1978.
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