Filosofia para quem não é filósofo: os melhores livros para começar
A filosofia parece intimidadora, mas suas perguntas são as mais humanas que existem. Uma seleção de livros que tornam o pensamento filosófico acessível, relevante e fascinante.
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Em seu livro de estreia como escritora, Mana Bernardes se lança em um profundo mergulho em sua história familiar, atravessando suas memórias, seus desejos e amores, suas dores e frustrações, em um acerto de contas franco e visceral. A protagonista de sua história é a mãe, Rute, a relação desidealizada e o encontro das duas. O livro, que nasceu como um projeto de financiamento coletivo, quis, desde seu início, costurar encontros e histórias. Para isso, Mana organizou uma grande roda de mulheres em sua casa-floresta para a leitura das primeiras páginas manuscritas da obra. Entre as amigas presentes neste encontro inaugural, realizado em fevereiro de 2018 estava Marielle Franco, a quem o livro é dedicado. Em Ritos do nascer ao parir Mana recupera episódios da infância, os encantos e percalços de uma criação alternativa, para entender o seu lugar como mulher no mundo hoje. A separação dos pais, as mudanças constantes de escolas e cidades, um acidente, uma doença grave, o peso da exigência precoce de autonomia, um abuso, a descoberta da sexualidade e do amor, o trabalho, o casamento. A história de Mana é singular e universal. A maneira em que narra tem ritmo e vocabulário próprios, que embalam essa conversa desenhada em pequenos episódios, de forma íntima, liberada, sem filtros. “Com a retirada do véu, que eu mesma nunca ousaria fazer, o que se lê às vezes pode fascinar, e outras doer, gerar repulsa. O que importa é que continuamos sempre, apesar dos fatos, interlocutoras, em constante provocação. Quando falamos ou calamos, com raiva ou com ternura. Seguimos.”, aponta Rute Casoy, a Rute-mãe, como Mana muitas vezes se refere. Torturada na ditadura, portadora de silêncios e mistérios, Rute é a personagem que conduz a narrativa. Mana escreve sobre sua mãe para poder reescrever a relação das duas e da linhagem feminina de sua família materna, de origem ucraniana. Nesse caminho de autoconhecimento e na busca incessante de realização de seu desejo de ser mãe, Mana descobre os inúmeros nascimentos e renascimentos possíveis quando olhamos de frente para nós mesmas.
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1981. É joalheira, designer, poeta e artista plástica. Começou ainda criança a desenvolver objetos a partir de matérias-primas da natureza e materiais de uso cotidiano e reciclados. Ainda adolescente, foi chamada para ensinar sua técnica de fazer colares para crianças e jovens desassistidos e ex-infratores, em casas de acolhida. Nascia assim, sua segunda vocação: atuar no desenvolvimento humano, campo ao qual se dedica até hoje. Imersa em projetos pedagógicos, começou a liberar seus nós emocionais com uma escrita automática, com letras agarradas umas às outras, o que chamavam de garrancho. Na apuração dessa prática, criou uma caligrafia própria, que virou sua marca pessoal. Reunindo grande parte de seu trabalho manual, publicou o livro Mana e Manuscritos (Aeroplano Editora), em 2011. Tem sua caligrafia presente em diversos projetos de arte, como shows, dvds, museus, além de uma linha de objetos, móveis e vidros. Expõe em galerias e museus no Brasil e exterior, incluindo coletivas nos museus MAD Museum (Nova York), Fondation Cartier (Paris), e Museu Nacional (Brasília). Sua linha de joias circula em lojas de museus como MoMA, MAR e Inhotim. Mana encontrou uma terceira área de atuação no meio de toda a sua história: poeta. E hoje une criações literárias à arte manual no desenvolvendo de suas obras. Artista independente, desenvolveu um método que escuta histórias de vida e atua em consultorias e criações de metodologias sociais para promover um desenvolvimento autoral entre mulheres pelo Brasil. Ritos do nascer ao parir é seu primeiro livro como escritora, construído a partir de 1000 páginas manuscritas em cadernos.
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