Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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Maria e Arthur se encontram em Paris no início de 1968. Ela estuda filosofia na Sorbonne, ele é poeta e artista de rua. Juntos vivem os excessos daqueles anos de revoluções e utopias e fogem da ditadura no Brasil, divididos entre o deslumbramento pelo que o Velho Mundo lhes oferece e a permanente sensação de que são intrusos na grande festa que é Paris. Maria passa o dia lendo Descartes e tenta seguir à risca as orientações do professor de filosofia sobre métodos de simetria e perfeição na condução de sua vida. Arthur é um libertário, idealista e sonhador, inimigo da rotina e artista nato. A realidade do Brasil, imerso numa ditadura violenta, é a sombra que permeia a relação dos dois, e também o apartamento ao lado, onde outro brasileiro, conhecido como “Marechal”, reúne estrangeiros que passam pelo mesmo problema em seus países e articulam um modo de resistir ao poder brutal das armas. Duas vezes ganhadora do prêmio Jabuti, Luciana Hidalgo narra em seu segundo romance uma história de amor, sonhos e desilusões, tendo como pano de fundo um período conturbado da história, tanto na Europa quanto no Brasil, com uma prosa poética e potente. Neste livro, a autora reforça outra característica sua, bem presente nas obras anteriores: a identificação com aqueles que vivem à margem, os que se opõem ao sistema e não se permitem levar a vida certinha que lhes oferecem, os que lutam contra injustiças e pagam com a própria vida, os chamados loucos, com suas realidades essencialmente próprias, personagens sempre capazes de proporcionar uma rica literatura.
Luciana Hidalgo é jornalista, escritora e doutora em Literatura Comparada (UERJ). Publicou Arthur Bispo do Rosario – O senhor do labirinto (ed. Rocco) e Literatura da urgência – Lima Barreto no domínio da loucura (ed. Annablume), pelos quais ganhou dois prêmios Jabuti. Trabalhou nas principais redações de jornais cariocas, em cadernos culturais e literários, como o Prosa & Verso do jornal O Globo. Em 2011 completou um pós-doutorado em literatura na UERJ, dando, em seguida, continuidade à sua pesquisa num pós-doc (Capes) na Université de la Sorbonne Nouvelle – Paris III, na França.
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