Livros essenciais sobre racismo e antirracismo para entender o Brasil
Para combater o racismo, é preciso primeiro entendê-lo. Uma seleção de obras que revelam como o racismo estrutural moldou, e continua moldando, a sociedade brasileira.
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Como escreve a repórter especial da Continente, Luciana Veras, logo nos primeiros parágrafos da reportagem que estampa nossa capa desta edição: as mulheres, no Brasil, não morrem, simplesmente, elas são violentadas e assassinadas. Na nossa sociedade, as mulheres não têm paz. Seja nas relações sociais, de trabalho, de lazer, no ambiente familiar ou nas relações amorosas, elas estão expostas a todo tipo de assédio e violência. Muitas das nossas mulheres têm sido eliminadas por homens que não admitem perder a sua “posse”. Durante a pandemia, esse quadro se agravou, quando foi registrado o aumento de feminicídios. Foi a partir desse dado social que começamos a gestar a reportagem que agora trazemos a vocês. Um tema revoltante e triste, mas que precisa ser investigado em suas origens e motivações. Nessa reportagem, Luciana reuniu dados, ouviu parentes de vítimas, juristas e grupos que atuam no campo, lembrou casos de feminicídios chocantes no Brasil, trouxe o assunto para o contexto latino-americano, conversou com escritoras e artistas que abordam a violência contra a mulher em suas obras... Enfim, traçou um vasto panorama dessa realidade trágica. Uma das fontes da reportagem é a artista Lívia Aquino, cuja obra tem sido pontuada por investigações a respeito das violências contra a sociedade civil e contra as mulheres, em particular. No processo de edição da reportagem, percebemos o diálogo estreito entre o assunto que abordávamos e o trabalho de Lívia, e a convidamos para se juntar a nós. Na capa, trouxemos um detalhe da obra Gritemos, produzida em 2019, a partir de carimbos nos quais se inscrevem informações sobre a violência contra as mulheres. Nas palavras de Lívia, essa “expressão em 1ª pessoa do plural do imperativo afirmativo, sugere uma ação coletiva diante das estatísticas presentes no mapa da violência de 2018, produzido pela Comissão de Defesa dos Diretos da Mulher”. A obra completa está nas primeiras páginas da reportagem. Ao longo do texto, vocês verão mais três obras da artista, Vermelho como palavra ainda é uma cor fantasma, Reparo e Sussurro, que, cada uma a seu modo, nos convocam a pensar de modo reativo sobre a naturalização da violência de gênero, num país que precisa superar seu histórico de misoginia e machismo.
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