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Ciências Humanas

Revista Continente - Nº 225

Há uma Real Ameaça ao Cinema

1ª Edição - 2019Cepe *pt
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Sinopse

No dia 17 de maio de 2016, com o filme Aquarius, o cinema pernambucano realizava um feito inédito: concorria, pela primeira vez, a mais prestigiada categoria competitiva do cinema, a Palma de Ouro. Inesperadamente, na première, no tapete vermelho do Festival de Cannes, o diretor Kleber Mendonça Filho e sua equipe ergueram faixas em inglês e francês denunciando os bastidores do impeachment de Dilma Rousseff. Aquela cena estamparia as manchetes de portais de notícia e jornais, mundo afora. Kleber, conhecido também pelo seu trabalho como crítico, programador do Cinema da Fundação, tornava-se um nome de repercussão internacional. Mas a manifestação política não ofuscou Aquarius e o longa foi um dos mais premiados de 2016, levando o cineasta a entrar, pela segunda vez (a primeira foi com O Som ao redor, de 2013), na seleta lista dos 10 melhores filmes do ano, pelo New York Times. Em meio ao lançamento do seu terceiro longa de ficção, Bacurau, ele concedeu entrevista às repórteres especiais da Continente, Débora Nascimento e Luciana Veras. Na conversa, resgata a gênese de sua paixão pelo cinema, quando era levado por sua mãe para ver filmes nas salas de exibição do Recife, que serão tema de seu próximo projeto, antecipa ele. O diretor também analisa as mudanças no cinema brasileiro, que levaram a uma maior diversidade de temas e critica as possíveis perdas na área – após os anúncios feitos pelo governo federal, um paradoxo, pois o cinema nacional nunca foi tão diversificado, democrático e premiado. Mas Kleber aposta na resistência. Outro tema que nos mobiliza nesta edição são os relacionamentos afrocentrados. A colaboradora Geisa Agricio construiu uma reportagem esclarecedora e crítica à situação de pessoas negras sob sistemas sociais opressivos. “O racismo e a forma como ele afeta estruturalmente a vida das pessoas pretas e pardas estão em pauta e, por conseguinte, eclodem problematizações sobre os impactos profundos que uma estrutura de opressão – que invisibilizou e buscou o apagamento da própria existência do povo negro – causa na construção da sua afetividade”, expõe, logo no início da matéria. Em relação a essa abordagem questionadora, aludindo à frase de Chimamanda – “sejamos todos feministas” –, emendamos: “sejamos todxs negros”.

Detalhes do livro

Título
Revista Continente - Nº 225
Editora
Cepe *
Ano
2026
Idioma
PT
Edição
1ª Edição - 2019
Formato
Brochura

Ciências Humanas

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