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Ciências Humanas

Revista Continente - Nº 214

O Sonho Acabou?

1ª Edição - 2020Cepe *pt
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Sinopse

Na última eleição presidencial dos Estados Unidos, em 2016, foram determinantes para a vitória de Donald Trump os votos do Cinturão da Ferrugem, região que abrange diversos estados, como Ohio, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, onde antes pulsava o coração da indústria mundial do século XX. A palavra ferrugem refere-se à desindustrialização desses lugares, provocando uma decadência que vem se agravando desde os anos 1980. Naquele mesmo 2016, a recessão na economia brasileira foi decisiva para o apoio popular ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Esses dois exemplos, em países tão distantes, mostram como a economia pode interferir na política, e vice-versa, e dessa forma impactar a vida de incontáveis pessoas. Hoje, o protecionismo e a xenofobia do governo Trump vêm deixando vítimas pelo meio do caminho, como a Argentina, que enfrenta uma grave recessão. Já o Brasil permanece numa instabilidade política e econômica que afeta direitos sociais consolidados. A eleição de Trump, que contrariou a expectativa dos cientistas políticos, e o impeachment de Dilma, de alguma forma, são reflexos do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, deflagrado em 2008. O colapso foi desencadeado pelo mercado de hipotecas, num esquema que encorajava pessoas de baixa renda a tomarem empréstimos a juros oscilantes. Baseada no liberalismo, a desregulamentação do setor financeiro consentida por diversos governos, somada à ganância de Wall Street e à desigualdade social crescente foram os ingredientes centrais da crise que vivemos. Nesta edição, nos debruçamos sobre os efeitos da crise econômica mundial. A partir de depoimentos de especialistas e pensadores clássicos, tecemos uma análise sobre o impacto desse evento, que desestabilizou os pilares do capitalismo, do liberalismo e da globalização. “As consequências da crise não foram iguais para todos. Ela aprofundou o que já havia de desigualdade e injustiça. Ganhou quem já tinha mais. Serviu ao capitalismo para desvalorizar ainda mais o trabalho precário. Até parece que o fizeram de propósito. Na Europa, a imigração voltou a pagar o pato”, afirma o sociólogo pernambucano Flávio Carvalho, funcionário do consulado brasileiro na Espanha. Como questionou, em 2008, o escritor português José Saramago: “Onde estava todo esse dinheiro? Estava muito bem guardado. De repente, ele apareceu logo, para salvar o quê? Vidas? Não. Apareceu para salvar os bancos”.

Detalhes do livro

Título
Revista Continente - Nº 214
Editora
Cepe *
Ano
2026
Idioma
PT
Edição
1ª Edição - 2020
Formato
Brochura

Ciências Humanas

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