Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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O livro, atento para o papel da linguagem na própria formação dos sujeitos e das coletividades das quais participam, procura observar a potencialidade da reconfiguração que também reside nos próprios gestos violentos. Para além de simples alvo, os grupos sociais minorizados encontram, no conceito de ressignificação, possibilidades de se reconectarem com aquilo que os constitui, alterando a composição da ferida linguística produzida pelos valores negativos que procuram ser a eles impugnados. O livro tem como objetivo principal descrever e interpretar o funcionamento discursivo da ressignificação na web 2.0 e, para tanto, inicialmente apresenta-se o quadro conceitual do trabalho, que adota a perspectiva da análise do discurso digital; na sequência são propostos tanto uma tipologia das práticas tecnodiscursivas quanto critérios linguístico-(tecno)discursivos que participam do percurso ressignificante. Por último, são tecidas observações acerca de um pequeno corpus construído em torno da hashtag #elenão, emblemática no contexto brasileiro por concretizar forte oposição aos preconceitos de variadas ordens. Finalmente propõe-se, ainda, o engendramento do conceito de hashtag salamandra como possibilidade de se pensarem os meandros da relação imbricada entre ressignificação e política.
Marie-Anne Paveau é professora de Ciências da Linguagem na Universidade Paris-XIII, em Villetaneuse, França. É membro do CENEL (Centro de estudo dos novos espaços literários) e associada ao Centro de estudo dos discursos, imagens, textos, escritos, comunicações (CEDITEC). Atua na área de Análise do Discurso, com ênfase na perspectiva da cognição social. É autora de diversos livros na França. No Brasil, publicou: Os pré-discursos: Sentido, memória, cognição (Pontes, 2006), coautora dos livros Ressignificação em contexto digital (EdUFSCar, 2021), Análise do discurso digital: Dicionário das formas e das práticas (Pontes, 2021), entre outros.
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