Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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Poucos termos frequentam mais assiduamente o léxico dos políticos e da mídia especializada do que “república” e “democracia”. Entretanto, o que esses termos designavam precisamente em sua origem na Grécia antiga, os valores que passaram a representar na República Romana reinventada, a carga de conflitos que incorporaram no Renascimento e o sentido crucial, e libertário, que podem desempenhar no presente permanecem em sua maior parte desconhecidos. Em Republicanas: Atenas, Roma, Florença e a atualidade do republicanismo , Sérgio Cardoso, professor sênior do Departamento de Filosofia da USP, discute de forma clara e sintética os principais momentos de formação desses conceitos e do ideário que os cerca. Do entendimento distinto de Platão e Aristóteles, passando pelas contribuições originais de Políbio e de Cícero em Roma, detendo-se no Renascimento — particularmente em Maquiavel, de cuja obra o autor é um de nossos mais finos intérpretes — e abrindo-se para a Modernidade, Republicanas desemboca, em seus capítulos finais, no debate fundamental acerca dos sentidos da república e da democracia na atualidade, sem deixar de interrogar um velho conhecido das arenas latino-americanas, o populismo, que hoje ressurge em escala mundial. Ao mesmo tempo que dialoga com inúmeros autores clássicos e contemporâneos, Sérgio Cardoso se aventura a pensar o republicanismo para além do quadro das democracias neoliberais, quando o elemento popular, longe de se reduzir ao número dos votos, constitui o motor que, por meio dos movimentos sociais, dá vigor à vida política, espelhando em suas demandas a busca por Leis e Direitos.
Sérgio Cardoso é Professor Sênior de Filosofia Política na Universidade de São Paulo, onde leciona no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas desde 1976. Graduou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e ingressou na Pós-Graduação na Universidade de São Paulo, em 1972, sob a orientação da professora Marilena de Souza Chaui. Realizou, em 1979, seu “doutorado de 3º ciclo”, sob a direção do professor Claude Lefort, continuando seus estudos na França até 1982, como bolsista do governo francês. Obteve o título de Doutor pela Universidade de São Paulo em 1991, com tese sobre a Crítica da Antropologia de Pierre Clastres. Especializou-se posteriormente no estudo da filosofia política e ética de autores do Renascimento italiano e francês, como Maquiavel e Montaigne, sobre os quais tem orientado mestrados e doutorados, e participado de vários grupos de trabalho no Brasil e no exterior. Atualmente seus estudos principais estão voltados para a investigação da grande tradição “republicana” da filosofia política, dos Antigos aos modernos. É autor de Maquiavelianas: lições de política republicana (Editora 34, 2022).
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