Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Pela ótica de Montaner, em um contexto de crises e mudanças, compreender e enfrentar os desafios atuais da arquitetura passa por uma visão ecologista, multicultural e da diversidade das experiências humanas, além de um olhar para territórios periféricos da tradição arquitetônica, como o Sul Global, e por perceber como esses novos paradigmas têm contribuído para um reposicionamento da teoria e da prática da atividade. Se, por exemplo, as raízes machistas da ordem clássica se referiam exclusivamen¬te ao corpo do homem, o que perdurou por séculos, passa-se gradual¬mente a aceitar a vida, a diversidade, a imprevisibilidade e a igualdade de gênero. Da mesma forma, da primazia da razão — produtiva, cartesiana, simplificadora e unificadora —, passou-se a uma razão aberta, criativa e diversificada. E da consolidação do conceito de história como síntese da evolução do patriarcado e de sua condição de sacrifício, dominação e violência, passou-se ao conceito darwiniano e vitalista de evolução e, mais recentemente, ao de memória coletiva, compartilhada, viva e ativista.
Josep Maria Montaner é arquiteto, escritor e catedrático da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona (ETSAB-UPC). É frequentemente convidado a lecionar em universidades da Europa, da América e da Ásia, e há mais de três décadas mantém um contínuo vínculo acadêmico com o Brasil. Foi vereador de habitação no município de Barcelona (2015-2019) e é autor de livros já traduzidos para vários idiomas, como Política e arquitetura, A modernidade superada e Arquitetura e crítica, publicados pela Olhares no Brasil.
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