Os melhores livros de neurociência para leigos curiosos
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Diz-se que o póstumo se passa após a morte de alguém. Os 13 poemas de Lêdo Ivo aqui publicados, após o terem sido na Espanha em 2015, mantêm abertos o caminho e a última passagem por ele inventados, e por isso contestam – não há por que duvidar de suas respostas e do que respondem – o enunciado dessa afirmação. Houve, ao certo, o clarão pelo qual se revelou que, “semente do inexistente,/ a vida sempre é de morte”, porém, em bruxuleio e sombra, rumor e silêncio, confidência e mistério, continua a tecer-se – não são parcas as provas fornecidas – a imaginária urdidura que ele imaginou em seu provocativo timbre furta-cor. “Sonho sonhar o que sonho” e “Irei para onde não vou” são versos que, disjuntos, podem embaraçar ouvidos não afeitos às contingências da existência e à irrevogabilidade do fim orgânico. E também testemunhar que o poeta soube, entre o mormaço eventual e mais uma aurora, aliar ao sinal semafórico de sua hora, à proximidade do instante inexplicável, o próprio réquiem, cujas linhas escritas (e diversos ditos) não se deixaram furtar de viço, frescor e, sobretudo, alegria. Uma vez mais, seu filho, Gonçalo Ivo, em aquarelas e têmperas, dispôs-se a seguir seus passos firmes. Desta vez, na companhia de Martín López-Vega e Edgar Lyra. Do conjunto de vozes, e de sua sonoridade em resguardo, decantam-se afetos, de que a surpresa experimentada ocorre como se fosse pela primeira vez e, portanto, sem contar com a eternidade. Em tal surpresa, em vez de desconcerto ou desavença, germina a imprópria harmonia, sempre em renovada suspensão, que nos faz perseverar e insistir, dia após noite, no que cabe a nós, imorredouramente, viver. O passamento, neste livro, é passageiro. Em sua brevidade incontornável, bafeja um límpido amanhecer de acontecimentos desprovidos de finisterra. A noite misteriosa recende seus murmúrios e seu fulgor tátil, mas é ao dia ainda não sucedido que devemos, in fine, prestar a perene homenagem. — Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos
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