Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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A proposta deste livro é pensarmos acerca dos lugares que todos nós ocupamos nas relações interpessoais ao longo da vida, considerando a qualidade destes espaços, além de colocar em perspectiva as maneiras como o fazemos. Este movimento ganha sentido inserindo-o nas relações de forças, vinculações afetivas ou nexos culturais e políticos nos quais se dá tal mobilidade. Além do texto argumentativo há 54 ilustrações aquareladas. Para representar os tipos de lugares foram usadas imagens de cadeiras, poltronas, sofás e vários outros assentos. As figuras de coroas estão dando conotação às formas de conquistas, posicionamentos e manutenções dos lugares; significando assim as mentes e mentalidades, os jeitos de pensar e agir dos sujeitos, os valores ético-morais-materiais e, portanto, os reinados. O livro é desdobramento de tese, de doutorado, e contém referencial bibliográfico, já que está baseado em conceitos de autores como Michel Foucault - “os discursos, os jogos de poder, os campos de forças, os dispositivos e as dobras”; e de e Erving Goffman - “a carreira moral, o controle social ou a teatralidade existente nas relações humanas”. Serge Moscovici e Denise Jodelet, com a teoria das Representações Sociais, também estão presentes por seus trabalhos relacionados aos saberes produzidos social e coletivamente. Além destes, os teóricos Sigmund Freud e Jacques Lacan foram agregados no decorrer da elaboração deste livro para comunicarem-se com as ideias aqui expostas. É importante ressaltar que não foi minha intenção debater conceitos e nem buscar diálogo entre todos os autores aqui citados, mesmo porque seus objetos de investigação e produções teóricas caminham por vias diversas, havendo, inclusive, discordâncias conceituais básicas entre eles. Meu objetivo foi conectar ideias destes autores com os pensamentos expostos neste livro. Dos pressupostos de Freud e Lacan, guardadas as devidas temporalidades e desdobramentos, os leitores vão encontrar, por exemplo, o “ego” e o “inconsciente”; sendo este último conceito também trabalhado por Lacan posteriormente. Sobre a abordagem a este último fiz alusão principalmente à “linguagem, às falhas, aos furos, às dobras, ao desejo e ao nó borromeano”. Para reforçar o objetivo de diálogo, inclusive com a área dos saberes não reificados pelas ciências, os leitores vão encontrar o termo “ori”, que em Yorùbá quer dizer cabeça; também citei o “Sol”, que, de acordo com a leitura astrológica ocidental, se relaciona basicamente com a “consciência” e com o “ego”; e desenhei a carta do tarô: “O Enforcado”, para simbolizar um tipo de ocupação ou manutenção de um lugar. Gilles Deleuze e Felix Guattari estão presentes por seus pensamentos filosóficos que primam por todas as conexões possíveis na constituição dos conhecimentos. Com esta leitura os leitores poderão refletir sobre os lugares que ocupam e a maneira como o fazem. Os lugares têm as normas para as ocupações moldadas coletivamente, mas eles são ocupados de maneira singular por cada sujeito. As cabeças são individuais, embora sejam atravessadas pelo aspecto humano das linguagens e seu viés coletivo. Então há bastante complexidade neste jogo de imagens e textos, dos lugares com as coroas, que não se prestam a conclusões e que contém contradições, inclusive. Por isso a coleção não se fecha e não se destina às discussões e nem às convergências teóricas, mas aos desdobramentos, à polifonia. A redação tampouco atende a um nexo sequencial rígido, pois simula uma narrativa que busca ser condutora de um fluxo de pensamento que não consegue ser exatamente contínuo, mesmo porque não poderia. Aqui, um “alguém” qualquer começa a fazer reflexões sobre o lugar que estaria ocupando e o desdobra para outros espaços, formas, tempos e sujeitos.
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