Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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Com uma prosa direta, sem efeitos, Edson Valente se debruça sobre a violência – tema muito presente na ficção brasileira recente. Mas Valente não se compraz na descrição crua da realidade. Os contos reunidos em Refluxos revelam a violência cometida principalmente contra o corpo e as reverberações disso na alma, no espírito, na subjetividade, trabalhadas a partir de metáforas que Valente maneja com desenvoltura – como nota Marcelo Coelho no texto da orelha. Chocante, essa violência física e psicológica aparece já no título do volume, que remete a secreções e fluidos corporais, e também a movimentos que se opõem, a contradições.
Marcelo Penteado Coelho (São Paulo SP 1959). Forma-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e trabalha por alguns anos como professor universitário antes de dedicar-se à atividade jornalística na Folha de S. Paulo. Inicia sua trajetória no jornal como editorialista e participa do grande projeto de reforma do jornal em 1984 liderado pelo amigo Otavio Frias Filho. Coordena editoriais e a partir de 1990 começa a assinar uma coluna semanal no caderno Ilustrada. Publica os romances Noturno (1992) e Jantando com Melvin (1998), traduz obras de Voltaire e Paul Valéry, entre outros, e escreve livros infantis. Seleções de textos publicados na Folha de S. Paulo estão reunidos em dois volumes, Gosto se Discute (1995) e Trivial Variado (1998). Desde 1994 leciona jornalismo cultural nas Faculdades Cásper Líbero, em São Paulo. Coelho criou uma modalidade particular de crônica, que combina o ensaio acadêmico, o resenhismo dos cadernos culturais, o comentário do detalhe cotidiano e discute aspectos sociológicos, antropológicos e estéticos do impacto dos produtos culturais na vida contemporânea.
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