Os melhores romances de amor: clássicos e contemporâneos que emocionam
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Misto de ficção e não ficção, este livro de Juliano Garcia Pessanha (JP) é um testemunho radical e urgente, um exemplo transformador, nas palavras do crítico Roberto Taddei, "que propõe e inaugura um novo caminho para a literatura que, a partir do diálogo com a psicanálise e a filosofia, se expande sem ser delas tributária". Se em seus livros anteriores o autor-personagem se isolava numa espécie de romantismo da negatividade, aqui JP realiza um salto: a ideia do sujeito que nasceu “para fora”, estranhado com o mundo – e, por isso mesmo, privilegiado para falar sobre ele –, perde sua aura em nome do acolhimento, da possibilidade de adentrar e de ressoar com o mundo. Esta virada tem por base a apropriação da conhecida teoria psicanalítica sobre a relação mãe–bebê de Winnicott e da filosofia das esferas de Sloterdijk, em contraposição com negatividade e o vazio característicos do pensamento de Heidegger ou de Nietzsche, que marcaram a prosa do poeta-filósofo até então. Recusa do não-lugar é um relato comovente (e nada autocomplacente) sobre o abandono, a reclusão e as sucessivas tentativas frustradas de entrar no mundo, combinado com sofisticados conceitos filosóficos e psicanalíticos.
Juliano Garcia Pessanha nasceu em São Paulo em 1962. Após abandonar o curso de direito no Largo São Francisco, graduou-se em filosofia. É mestre em psicologia (PUC-SP) e doutor em filosofia (USP). Autor de Sabedoria do nunca (1999), Ignorância do sempre (2000), Certeza do agora (2002) e Instabilidade perpétua (2009), publicados pela Ateliê Editorial. Recebeu o prêmio Nascente (Abril-USP) nas categorias poesia e ficção, em 1997, e o Grande Prêmio da Crítica da APCA na categoria Literatura (2015) por Testemunho transiente, reunião de sua tetralogia pela Cosac Naify. Sua obra é marcada por um hibridismo de gêneros, entre eles, ensaio, conto, aforismo, heterobiografia e heterotanatografia. Tece estreito diálogo com a literatura, a filosofia e a psicanálise, em busca de dizer as coisas em registros múltiplos de enunciação. É professor e dirige grupos de estudo de filosofia.
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