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"Rastros no massapê", de João Luiz Azevedo, é uma autobiografia ficcional de um autor que viveu uma infância repleta de peripécias e façanhas no ambiente dos velhos engenhos de açúcar da família e que, na vida adulta, enfrentou os desafios da medicina como médico-cirurgião e, mais recentemente, na condição de paciente. João Luiz Azevedo relembra episódios marcantes de sua infância e juventude nas fazendas Glória e Santa Cândida, na região do vale do rio Coruripe, Alagoas. O livro conta com apresentação da editora e professora de literatura Vanessa Ferrari. A edição é ilustrada com reproduções de xilogravuras de Julia Contreiras feitas especialmente para o livro. Nesse empreendimento literário, a memória pessoal conta com o apoio dos recursos da ficção. Azevedo reconstitui e dá vida a eventos, paisagens e acontecimentos familiares que se confundem com a história brasileira e remontam à chegada da família real portuguesa ao então Brasil Colônia, em 1808. No estilo saboroso do autor, um dos personagens mais destacados é um de seus ilustres antepassados, Francisco Inácio de Carvalho Moreira, o Barão de Penedo, que serviu à diplomacia brasileira durante 40 anos, desligando-se dela com a proclamação da República. Durante o Império, o Barão teve atuação destacada na defesa das fronteiras da Amazônia e em litígios comerciais contra a Inglaterra. Como bem observa Vanessa Ferrari, nesta narrativa “o Barão de Penedo, embora figure nos anais da história e seja admirado pelo autor, se acomoda na mesma prateleira afetiva dos outros personagens, à revelia do status do sujeito, e é no retrato generoso dessas pessoas que está a força do livro. [...] A tomar por esses relatos, Joãozinho, o Perigoso, não fez jus ao apelido da infância. Se ele vivia metido em encrenca, também carregava uma porosidade de espírito de quem flerta com a vida, acolhe as diferenças e tem fascínio por boas histórias.”
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