Mangás e graphic novels: por onde começar e por que ler
Quadrinhos não são "coisa de criança". Mangás e graphic novels estão entre as formas narrativas mais inovadoras do século. Um guia para quem quer entrar nesse universo.
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“Agarrar”, “atacar”, “oprimir”, “capturar”, “captar”, “compreender” são alguns significados do verbo latino rapere, do qual deriva o nome rapiarium. Trata-se de uma compilação de ideias, dizeres, citações e insights nem sempre coesos rapidamente anotados pelo asceta em meditação; pensamentos sobrevindos ao acaso, enquanto o escritor-copista lia munido de tinta e pena. O rapiarium surgiu no contexto da devotio moderna, corrente de inspiração mística do catolicismo, por volta do século XIV, principalmente nos Países Baixos. A prática pressupunha que da experiência do indivíduo se desencadeasse a experiência divina. Assim, ao materializar esses pensamentos por escrito, a intenção era desenvolver o contato permanente com Deus a partir das impressões íntimas despertadas. Esse processo de escrita compreende uma “ruminação com o coração”. Assim, as anotações, principalmente as positivas, serviam para o uso oracional de quem escreve, integrando-se à sua vida interior com o intuito de aperfeiçoá-la.
Régis Mikail Abud Filho (São Paulo, 1982) é autor da novela Onofre (Deep Editora, 2021) e do conto “Cosa mentale”, publicado na antologia O corpo desvelado, organizada por Eliane Robert de Moraes (Cepe Editora, 2022). Doutor em literatura francesa pela universidade Paris-Sorbonne, é também tradutor e editor. Estuda sânscrito e persa desde 2016 e se interessa por literatura antiga e contemporânea, bem como por tradições místicas.
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