Pular para o conteúdo
Literatura Brasileira

Rabo de Pipa

1ª Edição - 2023108 páginasLaranja Originalpt
Seja o primeiro a avaliar
Sua leitura no Lireo

Guarde este livro na sua estante

Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.

Registre seu progresso de leitura
Descubra outros leitores do mesmo livro
Participe de clubes de leitura
Organize toda sua biblioteca

Sinopse

Posfácio Rasgo de cor no céu cambiante Anna Clara de Vitto* Diante do céu que se divisa pelas páginas de Rabo de Pipa, em um contínuo de aclimatação, os olhos leitores percorrem amplidões e confinamentos, faces do presente traduzidas em versos agudos. De repente, não se trata mais de leitura: é uma experiência de desvendamento que se inicia, especialmente daquilo que não deveria ser desvendado. Este livro nos convida à investigação tanto das claraboias e suas promessas de luminosidade distante quanto dos nenúfares, silenciosos e sugestivos, mesmo quando as esperas parecem ser a própria tessitura do tempo. Como a morte, a vida e a poesia, há coisas que não permitem incolumidade. Compartilhando com a autora o amor pela língua italiana, me deixo encantar pelos sonoros voejos plásticos a abrir possibilidades em céus mudos, às vezes doces, muito mais vezes brutos, e penso em Antonia Pozzi, brilhantemente traduzida por Inês Dias. Diante das portas fechadas de seu tempo, a poeta milanesa, com o peito ainda carregado de pequenos tesouros, cantava: o chi mi vende/ un fiore – un altro fiore/ nato fuori di me/ in um vero giardino/ che io possa donarlo a chi mi attende?/ Non c’è nessuno,/ non c’è nessuno che vende/ i fiori/ per questo tristo cammino? Cada dor ou alento pede pela sua flor, para que nos lembremos de que existe o além-espinho. Quase como que em resposta à canção de Antonia, Maitê evoca azaleias que despencam dos céus. Ao contrário do nenúfar de Ofélia, que adorna a solidão última da figura feminina enlouquecida pela opressão, as cores das azaleias, do mesmo modo que as rabiolas das pipas, fazem brotar desejo/ onde antes as mãos/ desertificavam. Contra os desertos das esperas, o desejo, a poesia. Contra os infernos e suas múltiplas profundidades, é preciso olhar para o/ céu sempre que possível, há que re-ver, re-conhecer as estrelas. Ora através de basculantes, ora de claraboias, o olhar obstinado da autora procura a amplidão das varandas e, por fim, a liberdade dos campos, das ruas, do mundo. Rabo de Pipa, assim, revela a palavra em estado de abertura, materializada ou buscada. Novamente, o diálogo com Pozzi, que também indagou as obscuridades da vida e as confrontou com a palavra: Palavras – vidros/ que infielmente/ reflectis o meu céu –/ pensei em vós/ ao anoitecer/ numa rua sombria/ quando sobre as pedras da calçada caiu uma vidraça/ e durante muito tempo os estilhaços/ espalharam luz pela terra –. Recolhendo os estilhaços de uma realidade em violenta transformação, Maitê Alegretti reafirma a vontade irrefreável de viver e, sobretudo, de criar no ritmo do tempo que se leva desejando olhar para o céu, do tempo que se deseja criar um novo céu. A poesia da autora é claraboia, basculante, varanda, céu azul enfeitado de pipas em liberdade. É milagre. *Anna Clara de Vitto (Santos, SP, 1986) é poeta, autora de Água indócil (Urutau, 2019) e Meada (ed. da autora, 2019), e integrante da coordenação do Clube da Escrita para Mulheres, fundado em São Paulo, em 2015, pela escritora, cordelista e poeta Jarid Arraes. 1 POZZI, Antonia. Morte de uma estação. Seleção e tradução de Inês Dias. Lisboa: Averno, 2012.

Detalhes do livro

Título
Rabo de Pipa
Autor
Maitê Rosa Alegretti
Editora
Laranja Original
Ano
2026
Páginas
108 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9786586042559
Edição
1ª Edição - 2023
Formato
Brochura

Literatura Brasileira

Livros na mesma categoria

Blog Lireo

Dicas e recomendações para leitores

Soluções institucionais

Para escolas, universidades, autores e editoras