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.A morte esmiuçada, poetizada, romantizada ou escrutinada é sempre a morte. O fim de um discurso no tempo que não pode mais ser retomado senão como reminiscências. Última pontuação num capítulo cujo protagonista pode deixar as páginas em branco. Indelével porque definitiva. O ponto final é, aqui, definitivamente final. Se há continuidade — e muitos insistem em dizer que há — ela cobre espaços que não existem nas dimensões ísicas. A morte é um bem? Ela é um mal? Até mesmo em termos maniqueístas, a morte é relativa. Para Aguinaldo Gonçalves, a morte apresenta-se devorando o tempo, personificada no sopro fétido de um sorriso cariado. Seja nos poemas de Bandeira, de Pessoa, na arte de Berman, de Dali, de Rembrandt, ou na filosofia de Nietzsche, a morte deixa sempre o vazio por onde passa. Mais que o medo da dor ou da finitude, a morte interroga o ser e questiona a sua suposta importância. A consciência de continuidade do mundo pós-finitude do próprio ego talvez seja aquilo que mais aterroriza o homem. A morte realmente existe? Movendo-se em meio à ciência, à literatura e à religiosidade, o autor vai organizando textos e discursos clássicos sobre a morte, os quais denomina de instâncias, contornando a questão, apresentando cenários reais e fictícios, construídos a partir das tentativas de se capturar o sentido da vida e, consequentemente, o sentido da morte. A palavra “contorno” é aqui utilizada devido à perspicácia do autor de não buscar capturar o inapreensível, aquilo que ele mesmo define como “profunda frustração por estarmos sempre voltando ao mesmo ponto”. Não é por acaso que o livro termine com o texto do Prof. Dr. Moacir Godoy, fazendo referência a Chaos e anatos. Para ele, assim como para a Psicanálise, os opostos de fato se completam e não se pode dizer onde começa um e onde termina o outro. Aliás, para ambos, não se pode dizer nem mesmo que exista um começo e um término, mas sim elucubrações humanas sobre a morte.
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