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DependêNcia e Desenvolvimento EconôMico: Debates e Horizonte ProgramáTico
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A revista Princípios apresenta, em sua edição n° 165, o dossiê temático Dependência e desenvolvimento econômico: debates e horizonte programático. Organizado pelo professor Elias Jabbour (Uerj). O tema do desenvolvimento social e econômico em países da periferia do capitalismo sempre foi objeto da atenção de autores das mais diversas áreas: Economia, Geografia, História, Sociologia, Relações Internacionais, Filosofia, Linguística e outras. Ao longo do tempo, essa temática revelou-se um objeto complexo, com ramificações e interfaces em diferentes campos do saber. Nesse terreno, a perspectiva marxista construiu fortuna teórica digna de destaque. Essa construção tem início ainda no marxismo clássico, por meio dos trabalhos de Vladímir Lênin. O teórico e líder revolucionário russo forneceu aportes decisivos, com destaque para os conceitos de imperialismo e desenvolvimento desigual. Dentro do debate sobre a dependência, ganharam destaque nas últimas décadas as chamadas “teorias da dependência”. Elas são parte de um imenso esforço teórico que incluiu ativamente o marxismo, embora não se tenha restringido a ele. Esse esforço, iniciado no pós-Segunda Guerra, tinha o sentido de sistematizar teorias do desenvolvimento que fossem capazes de responder a uma grande questão da época: como evitar a eclosão de uma nova guerra mundial? O sucesso da dinâmica econômica soviética em meio à crise de 1929 e a derrota imposta por essa dinâmica à maior máquina de guerra, até então, da história chamou atenção para o papel da planificação econômica e da regulação estatal da economia como forma de contornar os efeitos mais nocivos do capitalismo. Por outro lado, a onda de descolonização da África e da Ásia trouxe para a esfera da política o direito de cada país à autonomia, ao desenvolvimento e ao planejamento. No campo da heterodoxia econômica, além da influência de autores como Keynes e Schumpeter, ao menos duas grandes escolas podem e devem ser destacadas: os “estruturalismos” anglo-saxão e latino-americano. Nesse sentido, as chamadas teorias da dependência podem ser vistas tanto como expressão do estruturalismo latino-americano (Prebisch, Furtado, FHC, Faletto) quanto como uma corrente marxista crítica que ganhou destaque com as obras de intelectuais como Ruy Mauro Marini, André Gunder Frank, Theotonio dos Santos e Vânia Bambirra. Outros autores marxistas, como o brasileiro Ignácio Rangel, abordaram o problema da dependência em outra chave. Rangel pode ser visto como uma expressão tanto criativa quanto crítica às teorias da dependência, dado seu esforço de construção de economias políticas nacionais, não generalizantes, para a explicação e construção de alternativas ao atraso e ao subdesenvolvimento. A perspectiva de derrota do conservadorismo e a consequente afirmação de novos rumos tanto para o Brasil quanto para a América Latina são fatos alvissareiros, que recolocam na agenda do debate público, notadamente no campo marxista, a questão do desenvolvimento econômico em conexão com os problemas da dependência e do subdesenvolvimento. Esta edição da revista Princípios apresenta sínteses atualizadas sobre essa temática, buscando não apenas resgatar o cabedal teórico a ela relacionada, mas também prospectar as soluções que o debate sobre a dependência pode apontar para os destinos do Brasil e da América Latina.
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