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____ Sobre este livro: Em Prato de Ossos, acompanhamos os desdobramentos da palavra “osso” na experiência de Tomás Przybysz – um narrador perdido entre infância e idade adulta. Flertando com o realismo fantástico e com o horror, o autor constrói episódios macabros e estranhamente bem-humorados da vida de seu narrador, incluindo sua amizade com um padre, seu envolvimento com uma noviça e o descobrimento de um segredo de seu avô. Em tom intimista, rico em reflexões sobre a vida cotidiana, Tomás procura desvendar seu destino e, para isso, faz um inventário de seus ossos, suas perdas e suas origens – desde a ascendência polonesa até a plantinha que é seu pai –, descobrindo uma confluência: origens que se perdem e perdas que são originárias. *** Neste prato de crimes e confissões, o exercício que Luis Henrique Sierakowski propõe ao seu narrador é o de roer significados, como se fossem carne passageira sobre ossos. “Como os ossos para os músculos e os tecidos suaves, a escritura é o suporte da morada fofa da linguagem,” diz Bruno Bonoris. A escrita é o esqueleto que sustenta palavras provisórias e permite encarnar nosso drama. “Profetiza sobre esses ossos”, anuncia o relato Bíblico, “eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei tendões sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele”. Cavar o buraco da cova com as mãos como se escreve um texto. Restos de uma vida sepultados em livro: narrativa, história. Na ponta dos dedos macios, desbravar os ossos da revelação mais secreta, da paixão mais suja: o amor não consentido, o roubo de corpo não consentido, o desaparecimento não consentido. Depois, no peso úmido e mofado da dúvida, depositar, finalmente, “os ossos no cemitério”, dar-lhes um lugar no túmulo da memória: ocultar e preservar os resíduos, ao mesmo tempo. O sumiço de um pai e de uma calcinha: quais os desfechos possíveis de uma tragédia? Existir, simplesmente, ou escrever um destino? pergunta-se o narrador. Vida, morte e sexo são as perguntas latejantes que insistem nesta bela trama de Luis Henrique Sierakowski. Josiane Orvatich Escritora e Psicanalista ***
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