Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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“Em Sodoma a tolerância é real, a mansidão é real, a compreensão dos outros é real e tudo está fundado em uma prática democrática real. Minorias de qualquer tipo também encontram lugar no mundo de Sodoma. Não só as minorias heterossexuais, mas também as minorias de negros, de judeus, de ciganos, que vivem ali na mais absoluta liberdade, inclusive interior”. Porno-Teo-Kolossal foi a ideia de uma superprodução teológico-pornográfica na qual Pier Paolo Pasolini trabalhou durante quase uma década. A obra teria sido o filme que encerraria sua brilhante e controversa carreira cinematográfica antes de se dedicar inteiramente à escrita. No entanto, o seu assassinato brutal, em 1975, deixou inacabada esta alegoria sombria cheia de sadismo e irreverência. O roteiro tratava de “um filme sobre ideologia” que deveria representar três tipos diferentes de utopias, ligadas a um passado paleoindustrial, a um presente neocapitalista e a um futuro tecnocrata, todos inexoravelmente destinados ao fracasso através de catástrofes apocalípticas que levariam ao fim até mesmo a última utopia: a da fé . Em Porno-Teo-Kolossal , Epifânio, um napolitano, que pensa ser um dos reis mágicos, põe-se a caminho acompanhado por um fiel servo, Núncio, em busca da Estrela que marca o local onde deverá prestar homenagem ao Messias recém-nascido. Como símbolo de esperança, os caprichos da Estrela o levarão por cidades selvagens e utópicas, tão fantásticas quanto (ir)reconhecíveis. Sátiras das grandes metrópoles, onde reinam a violência e a degradação humana, servem a Pasolini para construir uma crítica severa à sociedade de consumo capitalista.
Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922), encontrou na literatura, desde cedo, uma paixão. Formou-se em Estudos Literários pela Universidade de Bolonha, publicou livros de poesia, contos e romances. Foi poeta, editor, pintor, ensaísta, crítico literário e cinematográfico, roteirista, jornalista e agitador cultural. Somente aos quarenta anos de idade se rendeu ao cinema, meio pelo qual ganharia projeção mundial. Gay, cristão e marxista, Pasolini era polêmico, controverso e marcou uma época. Intelectual profundamente crítico da sociedade de consumo e do capitalismo, foi uma figura central na vida cultural italiana dos anos 1950 aos 1970. Atacada de diversos lados, sua obra foi marcada pelas experiências políticas e estéticas que teve ao longo da vida e se tornou um precioso legado para história. Pasolini foi brutalmente assassinado em uma madrugada de novembro de 1975 e o crime ainda é envolto de dúvidas e mistérios.
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