Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
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O titulo deste livro e um tanto estranho - 'Por que nao ha relacao sexual?'. Seguramente, por vivencia pessoal, perguntariamos - 'Como e possivel isso, nao ha relacao sexual?'. Responderiamos com Lacan, em todo caso, que ha relacoes sexuais. O plural ai muda suficientemente a questao para que pensemos, com efeito, que, quando Lacan afirma que 'nao ha relacao sexual', nao fala das relacoes sexuais, mas de um conceito particular e apresenta esse conceito em termos negativos - nao ha relacao sexual. Diante disso, a pergunta que apresento e - 'Por que nao ha relacao sexual?'. A afirmacao de Lacan nos leva a tentar justificar o porque desse conceito, o conceito de que nao ha relacao sexual. O termo frances rapport se traduz por 'relacao' ou 'proporcao', podendo tratar-se ainda de um 'relato', um 'informe'. Ha tres acepcoes, portanto, e das tres teriamos que tomar efetivamente as tres - proporcao, relacao e relato. Talvez a que melhor possa dar conta do que se trata, pelo menos em um sentido quase intuitivo, seja a de 'proporcao'. Recordemos que proporcao evidentemente implica uma relacao de acoplamento, de adequacao. Poder-se-ia dizer que se trata de alguma coisa que se encaixa exatamente noutra coisa. Esses sao dois termos para iniciar essa reflexao, precisamente os dois termos pelos quais se deveria comecar e que surgiram, como vemos, quase de modo imprevisto. Aqui surge nova indagacao - o que se supoe obter na assim chamada relacao sexual, em termos imaginarios, do cotidiano? - Supoe-se que dois fazem um! Que no acoplamento sexual, por meio do coito, logrem ser exatamente um. Aparentemente afirma-se isso. Lembremos do classico mito do androgino, de Platao - que Freud toma literalmente do Banquete -, que diz em seu discurso sobre o amor, pela boca de Aristofanes, que ha efetivamente dois sexos. Como e que chegaram a ser esses dois sexos, ja que de inicio so havia um? Foram castigados, dividiram-se e logo tenderam a buscar um ao outro para amar numa relacao sexual, atraves da qual pudessem encaixar-se exatamente homem quase se poderia dar por resolvida a questao. Ha um? Pois bem, pareceria entao que as relacoes sexuais viessem a confirmar efetivamente que ha um! A esse respeito Lacan vai dizer que ha um, mas ha um que depende do Outro, e esse e um conceito-chave em sua obra. Quem e esse Outro? Nao e esse outro escrito com a minusculo que indica o proximo, o semelhante, o da relacao bipessoal, interpessoal, intersubjetiva. Esse outro e justamente o que marca uma relacao dual. E com esse a do pequeno autre/outro que o psicanalista deve romper para centrar sua atencao nesse outro A, nesse Autre/Outro que e o lugar da palavra, tesouro do significante, conforme diz Lacan. Esse Outro nao e nem de um nem de outro, nao e das pessoas; esse Outro e um lugar virtual que transcende as pessoas e por isso ele o chama de Outro transindividual. 'Trans' - atravessa os individuos.
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