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Literatura Brasileira

Poesia é Risco

1ª Edição - 2023192 páginasEdiçOes Jabuticaba *pt
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Sinopse

Já na primeira metade do século passado, Mário de Andrade celebrava que os poetas posteriores ao Modernismo haviam conquistado o “direito de errar”, ou seja, a possibilidade de investigar novos caminhos, mesmo que acidentados, longe de segurança da tradição. Estar sujeito ao erro, longe de ser uma deficiência, é uma virtude do poeta, o que há de ter, décadas depois, inspirado Augusto de Campos, ao transpor seus poemas para o suporte musical, a acrescentar de maneira sintética, poesia é risco. Atento à polissemia dessa expressão, Pansani intitula seu novo livro justamente de Poesia é risco, o que não apenas nomeia um conjunto de poemas, mas insere seu autor nas fileiras dos poetas que desafiam a convencionalidade. Ele próprio aponta o caminho ao sinalizar: “preto riscando o mundo branco: propondo uma coisa nova”. Aí está a síntese de sua poética, extrair novos poemas de poemas prévios. Trata-se de um procedimento conhecido como blackout, que consiste em ocultar partes de um texto, fazendo com que as palavras poupadas se destaquem e formem uma nova obra. Se os primeiros exemplos de blackout esmiuçavam escritos do cotidiano, os de Pansani vão além, pois sua matéria prima são outros poemas, o que evidencia sua postura diante da poesia: “é o canto contra o canto que procuro”. E aí talvez esteja um toque sacrílego para uns, iconoclasta para outros.[...] Quando passamos pelos blackouts de Poesia é risco fica nítido que não estamos no plano da citação, mas sim no da colagem, na qual o original deve simplesmente desaparecer, e mesmo quando não desaparece completamente, seja porque o poeta empregou uma tinta com alguma transparência, seja porque o modelo é bastante conhecido, o que importa é a escolha, o corte, a rasura e a montagem; o que importa é o novo texto, o poema de sua autoria. Essa operação posta em prática por Pansani, que consiste em apagar em parte o texto alheio e apropriar-se do restante (“por debaixo da roupa me habitam páginas de literatura alheia”), nos permite concluir que, enquanto nosso padrão habitual é escrever por adição, acrescentando palavras após palavra, a poética de Pansani se faz por subtração, pelo corte, pela exclusão. Como escrever se contrapõe a apagar, com Poesia é risco nos vemos diante de uma tinta secreta que talvez possa ser compreendida como uma poética negativa ou uma antipoética.

Detalhes do livro

Título
Poesia é Risco
Autor
Diego Pansani
Editora
EdiçOes Jabuticaba *
Ano
2026
Páginas
192 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788593478222
Edição
1ª Edição - 2023
Formato
Brochura

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