Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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A poesia erótica de Maria Teresa Horta é, a um só tempo, inteiramente desabrida e contida. Desabrida, porque indica, com clareza inequívoca, as inúmeras imagens dos encontros reais ou imaginados dos corpos, da fricção dos amantes em constante excitação prazerosa. Mas contida, pela palavra cuidadosa e jamais vulgar, mesmo quando explícita; pelo ritmo que mimetiza o vislumbre concreto da prática amorosa ao invés de sua mera representação alusiva; pelo verso preciso que recobra a tradição de imagens eróticas em nossa língua.
Maria Teresa Horta é artista da palavra celebrada em Portugal, reconhecida por seu engajamento político que ultrapassa questões partidárias para atingir o cerne daquilo que há, talvez, de mais político no fazer humano: a arte literária. Autora muitas vezes premiada, Maria Teresa, cuja estreia se deu em 1960, é um dos autores mais importantes da literatura portuguesa de nosso tempo. Sua obra é exemplo vivo da associação que o pensador francês Jacques Rancière faz entre literatura e política, provando que existe um vínculo essencial entre a prática coletiva e a escrita artística. Não é à toa que, junto às parceiras das Novas cartas portuguesas (1972), Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, foi levada a julgamento por não temer enfrentar o poder fascista que vigia em seu país. Atenta às questões do feminino, da política de seu país e a tantas outras questões que perpassam sua arte, Maria Teresa Horta pode ser, agora, lida pelo público brasileiro.
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