Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
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2010
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Um dos desafios que a História Antiga impõe ao pesquisador é refletir sobre as diversas modalidades de produção de discursos, relacionando-os às concepções de tempo e de história próprias de cada sociedade. Nesse sentido, abrange o estudo das narrativas míticas e históricas, as quais têm por objetivo estabelecer uma determinada ordem para os acontecimentos divinos e/ou humanos segundo uma lógica discursiva própria, o que nos remete ao estudo do modo pelo qual as sociedades concebem a relação entre o passado, o presente e o futuro. Abarca também as discussões em torno da produção da memória, memória esta que ocupa um papel significativo no contexto social. É nessa perspectiva historiográfica que se situam dois artigos que compõem o presente volume da Phoînix: o de María Cecilia Colombani, que nos apresenta uma chave interpretativa para a narrativa mítica hesiódica na construção da ordem cósmica; e o de Maria de Fátima Silva, que desvela os sentidos simbólicos da narrativa histórica herodotiana a partir dos conceitos morais ou filosóficos vigentes, que visavam dar inteligibilidade à configuração de forças que carcterizava o mundo então conhecido. O artigo de Alexandre Santos de Moraes, ao buscar compreender as práticas políticas dos antigos helenos através da poesia homérica, acaba por enfatizar a natureza política das formas de discursividade. A preocupação com a incidência dos discursos na vida social também é o cerne do artigo de Maria Regina Candido, quando aborda a religiosidade. É também no campo da religiosidade e das crenças que se inserem os artigos de Ana Lívia Vieira e Regina Bustamante. Entretanto, essas autoras desenvolveram um viés mais culturalista, privilegiando o imaginário, seja no tocante ao mar ou à sexualidade, a partir da análise de documentação escrita e material. O artigo de Tereza Virgínia Barbosa, ao discutir questões de tradução, gênero literário e história com o intuito de tentar mostrar a força da tradução para o estabelecimento do que se convencionou chamar gênero trágico, trata dessa dialética da estabilidade e da mudança. Autoras e autores neste volume: Alexandre Santos de Moraes, María Cecilia Colombani, Maria de Fátima Silva, Ana Livia Bomfim Vieira, Maria Regina Candido, Regina Maria da Cunha Bustamante, Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa.
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