Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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Caminhar, sentir, observar, meditar, anotar: esses talvez sejam os verbos que definem a obra de Mary Oliver (1935-2019). No ambiente disputado da poesia estadunidense das últimas décadas, sua lírica forte e clara, talhada no convívio intenso com a natureza nos arredores de sua casa, conseguiu ocupar um lugar de raro destaque, fazendo dela uma das escritoras mais premiadas e de maior popularidade de seu país. Em sua vasta obra, o encantamento com todas as formas de vida encontradas no caminho — flores, pássaros, frutos, gatos, cachorros, pedras, os traços de cada estação — cria uma atmosfera em que o sujeito desaparece, quase em silêncio, para que o mundo fale e brilhe. Ao mesmo tempo, é admirável a densidade dessa experiência individual e, muitas vezes, solitária (a poeta adorava fazer longas caminhadas sozinha). E isso a aproxima de outros grandes poetas que se deixaram fundir à paisagem, como uma “vírgula” entre outras na vastidão do existente, desde os mestres japoneses do haikai até seu compatriota Walt Whitman ou o brasileiro Leonardo Fróes. Em tradução da poeta portuguesa Patrícia Lino, professora na Universidade da Califórnia (UCLA), Pequenas glórias reúne três livros de Mary Oliver: A folha e a nuvem (2000), O que sabemos (2002) e Vida longa (2004). Como afirma Natalie Diaz no prefácio, esses volumes formam uma “trindade” na obra madura da poeta. A mescla de versos, poemas em prosa e ensaios também faz jus à forma como a poesia e o pensamento de Oliver se desenvolveram durante toda a sua vida. Bem mais do que se importar com as fronteiras entre gêneros, sua atenção esteve sempre devotada a questionar o que estamos fazendo aqui, com os dois pés bem firmes sobre este planeta redondo.
Mary Oliver nasceu em Maple Heights, Ohio (EUA), em 1935. Seu livro de estreia, No Voyage and Other Poems, foi publicado em 1963, e o último, Felicity, em 2015. Entre os diversos prêmios que recebeu por sua extensa e aclamada obra como poeta e ensaísta, destacam-se o Pulitzer (1984) e o National Book Award (1992). Morreu em Hobe Sound, Flórida, aos 83 anos.
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