Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
Compreender 1953-1975
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Pensadora da crise e do recomeço, Hannah Arendt (1906-1975) produziu uma obra incomparável sobre os acontecimentos do sé¬culo XX e suas repercussões. Os textos reunidos neste livro atestam a sua capacidade em avaliar com rigor teórico e compromisso ético as principais questões de seu tempo, criando diagnósticos que se tornaram referência nos mais diversos campos das ciências humanas. Produzidos entre os anos 1950 e 1970, esses escritos, em grande parte inéditos, atravessam o período em que Arendt escreveu suas obras mais importantes. Dessa forma, é visível o diálogo estabele¬cido entre as reflexões presentes nesta edição – em ensaios, aulas, estudos e entrevistas – e trabalhos como Origens do totalitarismo, Sobre a revolução e A condição humana. O pensamento de Hannah Arendt, de atualidade surpreendente e sempre atento aos sentidos da vida pública e do bem comum, continua sendo chave fundamental para a leitura do mundo con¬temporâneo, das configurações políticas e possibilidades de futuro.
Hannah Arendt nasceu em 1906. Sua família, originária de Königsberg, na Prússia Oriental, era formada por intelectuais e profissionais liberais judeus. Muito cedo se interessou por filosofia e, de 1924 a 1929, frequentou a universidade. Nesses anos, seus mestres foram Martin Heidegger e Karl Jaspers. Este último orientou sua tese de doutorado sobre Santo Agostinho. No começo dos anos 1930, escreveu a biografia de Rahel Varnhagen: uma primeira abordagem da questão judaica. Por ter participado de atividades ligadas ao movimento sionista, foi presa em 1933 e escapou para a França, onde viveu até 1941. Nesse período, casou com Heinrich Blücher e fez amizade com Walter Benjamin. Em 1941, depois de uma permanência em um campo de internamento no sul da França, foi para Nova York, Estados Unidos, onde se instalou definitivamente, tendo adotado a cidadania americana. Nos anos seguintes, acompanhou os acontecimentos na Europa e preparou o livro As origens do totalitarismo, de 1951. A parte mais importante de sua obra data dos anos 1950 a 1970. Em A condição humana (1958), estabeleceu as bases da sua teoria política. Entre o passado e o futuro (1961) reúne ensaios de crítica sobre os tempos sombrios do século XX. Sobre a revolução (1963) compara as duas grandes revoluções modernas – a americana e a francesa. Envolveu-se em 1963 na polêmica em torno do livro Eichmann em Jerusalém (1963). Em pauta estava o significado do subtítulo do livro: Um relato sobre a banalidade do mal. Também nos anos 1960, foram publicadas suas intervenções no debate político, em Sobre a violência (1970) e Crises da República (1972). Na década de 1970 dedicou-se à filosofia e a compor A vida do espírito – última obra, inacabada – em que seriam consideradas as atividades do pensar, do querer e do julgar. Morreu em 1975.
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