Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
Ensaio sobre a Ferocidade e o Fim do Humano
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Na presente condição de irremediável derrota do humano, a tarefa de quem pensa é simplesmente dizer a verdade. Verdade, porém, é uma palavra extremamente comprometedora, portanto seria melhor dizer: a tarefa de quem pensa é dizer qual drama se desenrola no teatro de sua consciência. Designemos este drama: verdade. No passado, quando era possível alimentar alguma mínima esperança, por vezes tornava-se necessário e perdoável esconder alguma coisa da verdade, adiando-a para tempos melhores. Agora sabemos que nunca mais haverá tempos melhores, e sabemos que não há mais qualquer esperança. Agora sabemos que o humano está se retirando para os lugares inacessíveis da deserção, enquanto o horror desumano avança e o autômato se apodera das funções de comando. Por isso, estamos sozinhos com o desespero e a impotência da verdade: a verdade definitiva, última e totalmente inútil. É preciso compartilhar essa verdade para poder criar alguns lugares comuns de deserção. Pensar, agora, é definitivamente irrelevante, exceto para quem pensa. E quem pensa não está sozinho. Outros pensam, outros contemplam o drama e o vivem individualmente. O que acontece no presente – o genocídio erigido como nova regra da história, o desencadeamento da demência agressiva em cada nicho das relações sociais – é muito pior do que o que aconteceu na Alemanha em 1933, porque agora é definitivo e incontestável, e porque no futuro não haverá nenhuma Stalingrado. Por isso, pensar é aterrador, mas indispensável. Porque não há outra saída, não há outra maneira de preservar a única coisa que resta: o respeito por si mesmo.
Nascido em Bolonha em 1949, Franco Berardi (Bifo) participou desde muito cedo dos movimentos de contestação na Itália. Foi da autonomia operaísta, e se interessou pelas novas formas de comunicação antagonista nos anos 70, quando fundou a rádio-livre Alice. Escreveu abundantemente sobre as mutações subjetivas em curso: Neuromagma, cyberpunk, esquizomidia, cyberfilosofia – seus escritos estão repletos de neologismos para dar conta das transformações do capitalismo, da erosão da democracia e das formas de luta emergentes. Nessa busca foi amigo e parceiro de Guattari. Escreveu mais de 30 livros. Suas últimas obras são O terceiro inconsciente: a psicoesfera na era viral e Desertemos!. Pensar depois de Gaza é seu último livro. Confessa, entre outras coisas, que precisou completar 75 anos para ler Lucrécio.
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