Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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No extremo sul do Brasil, na praia mais extensa do mundo, três marinheiros são responsáveis pela manutenção e segurança de um farol de navegação. Isolados do mundo por oitenta e cinco dias, cercados de natureza inóspita, enfrentam a culpa, o desejo e o peso do passado. Do autor vencedor dos prêmios Jabuti e Açorianos. Neste romance preciso, magistral, três homens se isolam numa praia sem começo nem fim, com a tarefa de zelar pelo funcionamento de um farol de navegação. Durante quase três meses, vivem e trabalham em instalações simples ao redor do farol, cercados de areia por todos os lados. Mas o que os leva até lá não é necessariamente o dever, e sim o medo e a culpa, a penitência e a fuga. Agostinho, o mais velho, tem problemas com a bebida e, ao se voluntariar para o farol, acredita estar purgando um ato sem perdão: alcoolizado e sem memória, foi acusado de algo abominável e não tem como se defender. Ariel, o mais novo, foge para tentar se encontrar: nunca tomou decisões por conta própria, foi sempre influenciado pela vontade dos outros, e agora, na solidão do farol e dedicado aos seus orixás, procura entender quem realmente é. Já Skawinski está ali pela culpa e pelo desejo. Cresceu sem a mãe, com um pai ausente, e desde cedo ficou aos cuidados da meia-irmã mais velha, Vanda, com quem criou um laço afetivo perigoso. Jovem sem pouso nem futuro, teve de ser acolhido na casa dela e do marido. Mas o amor por Vanda e a impotência perante seu casamento o forçaram a partir. Isolados no farol, são acossados pelo vento e pela areia, que se acumula, invade e encobre tudo. Os marinheiros, afundados em suas guerras pessoais, em breve serão tomados também pelo delírio.
LEONARDO BRASILIENSE nasceu em 1972, em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. Tem treze livros publicados, como “Adeus contos de fadas” (2006, vencedor, entre outros, dos prêmios Jabuti e Açorianos) e “Whatever” (2009, selecionado para o Programa Nacional Biblioteca da Escola, do MEC). Pela Companhia das Letras, lançou “Três dúvidas” (2010, vencedor do prêmio Jabuti), “Roupas sujas” (2017, finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura) e “Peixe estranho” (2022). Além de romancista, é roteirista de cinema e fotógrafo amador.
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