Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
Paul Claudel e Darius Milhaus no Brasil
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Por iniciativa do consulado francês, e organizado por Manoel Corrêa do Lago e Victor Burton, o livro comemora o centenário da vinda para o Brasil dessas duas personalidades de primeira grandeza da cultura francesa. A obra se concentra nas figuras de Claudel e Milhaud, o primeiro embaixador e, o segundo, secretário da legação francesa no Rio de Janeiro, com textos dos próprios e também de Henri Hoppenot, igualmente diplomata (prefácio de uma edição dos diários de Claudel) e de sua esposa, Hélène Hoppenot (parte de seu diário escrito no Brasil), que aqui chegaram em 1918. Autores convidados debruçam-se sobre a relação de Claudel com o Brasil (Brice Roquefeuil), a de Milhaud com o repertório popular brasileiro (Flávia Camargo Toni) e os momentos mais significativos da jovem Hélène, que descobre aqui sua vocação para a fotografia (Marie-France Mousli). Manoel Corrêa do Lago assina a apresentação da obra. Claudel tinha por missão promover a entrada do Brasil na I Guerra Mundial ao lado dos Aliados, o que ocorre em 1917, e mergulharia na política brasileira por meio de figuras como Rui Barbosa, a quem dedica grande admiração. Ademais, deveria negociar um convênio comercial franco-brasileiro. Para Claudel, a tristeza de estar longe de sua pátria mescla-se ao advento da gripe espanhola em terras cariocas e à descoberta da cidade-floresta. A exuberância do Rio de Janeiro será evocada por ele no poema ‘A missa ao longe’. Aqui escreverá três peças, uma delas, o libreto para balé ‘O Homem e seu desejo’, que receberá música de Milhaud e cenários e figurino de Audrey Parr, cujas imagens são reproduzidas pela primeira vez no Brasil na presente obra. O jovem Milhaud vê-se fascinado pelos ritmos brasileiros, estando aqui por ocasião do sucesso de ‘Pelo telefone’, o primeiro samba gravado no país. Ouve Ernesto Nazareth, influência decisiva na criação de sua obra mais famosa, interessa-se por maxixes, sambas e cateretês, promove a aproximação dos mundos musicais francês e brasileiro, e transporta suas impressões para a notável composição ‘Saudades do Brasil’. Seu relato emocionado sobre os anos aqui passados, inédito, é traduzido neste livro que ora apresentamos. Os quatro amigos, essa ‘estranha legação’, adentram o universo cultural brasileiro convivendo com duas famílias sumamente musicais: os Veloso-Guerra o os Oswald, em torno dos quais gravitam nomes da cena mundial como o pianista Arthur Rubinstein e a estrela dos balés russos, Vaslav Nijinsky. Os textos dos quatro viajantes, traduzidos por Pedro Fragelli, são enriquecidos por notas editoriais e vasta iconografia, majoritariamente inédita, que reconstitui a ambiência que os envolvia durante os turbulentos anos da I Guerra Mundial. A vida boêmia, a música, a paisagem, a descoberta da fotografia... tudo isso contribuiria para que os quatro se tornassem embaixadores informais do Brasil ao retornarem à França.
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