Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Nestas histórias breves, João Paulo Vaz se propõe a investigar a masculinidade para além das noções mais simplistas de dominação e violência. Essa investigação, no entanto, mal é percebida pela leitora ou pelo leitor enredado na prosa ágil e precisa do autor: as palavras estão todas a serviço de histórias que parecem nascidas para ser contadas, na simbiose entre forma e conteúdo que sempre caracterizou a boa ficção. A seleção, feita pelo próprio Vaz, abarca de contos premiados não publicados em coletâneas próprias, como o contundente “Os meninos”, a inéditos igualmente impressionantes, como “A presença da onça” e “A grande caçada ao javali imperial”. Doses de ternura, surpresa e também de humor salpicam a antologia, acrescentando, à experiência de fruição, não raro um sorriso ao rosto de quem lê. Os códigos masculinos, com suas tensões e solenidade, atravessam as 22 histórias, mesmo quando o que está em jogo – e jogo aqui não é uma palavra aleatória – é a formação de meninos rumo à inevitável solidão da maturidade. O olhar terno para as angústias dos personagens não significa condescendência: a violência está sempre prestes a despontar, explícita – ou mesmo sarcasticamente explícita como em “Rô-rô” – ou simbólica, em guerras tão sem sentido como são todas as guerras. A mulher, para esse menino ou homem, muitas vezes é um ser mítico, idealizado. Um devir-mulher. Onça, boneca, guerrilheira, sua presença evidencia a fixidez e a limitação do modelo masculino. A promessa de que possa abalar essa estrutura de poder e fazer penetrar nela, afinal, a Vida, essa promessa se insinua mas não se cumpre. Como mostra o belíssimo “Os parques abandonados”, esse homem retorna à sua suposta liberdade, e sai rugindo a motocicleta pelas colinas. Marta Barcellos
Outros livros de João Paulo Vaz
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
Uma estante virtual organiza tudo que você leu, está lendo e quer ler. Veja como montar a sua e quais os benefícios de ter um registro digital das suas leituras.
O cérebro é o objeto mais complexo do universo conhecido, e você tem um. Livros que explicam como ele funciona sem precisar de doutorado para entender.
Para escolas, universidades, autores e editoras