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Literatura Estrangeira

Os InvisíVeis

1ª Edição - 2023160 páginasGryphuspt
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Sinopse

“É assustador pensar como as crianças estão constantemente em perigo”, diz a professora em A Idade da Inocência, de François Truffaut. E na cena final, durante uma memorável conversa com seus alunos, ela diz que um adulto que não está feliz pode recomeçar, mas uma criança infeliz está indefesa. Mais tarde acrescenta: “De todas as injustiças da humanidade, a injustiça contra as crianças é a mais desprezível”. Os Invisíveis aborda esse problema a partir da perspectiva de dois adolescentes e um menino de seis anos que, vivendo nas ruas de Buenos Aires, são recrutados por indicação de um ex-policial que virou segurança, para realizar uma série de trabalhos muito parecidos com aqueles que deram ao ex-policial certo prestígio no submundo. “Muitos seguranças privados da Zona Norte também se metiam com isso: chamavam os garotos toda vez que os donos das casas que eles cuidavam iam viajar ou passar o fim de semana fora da cidade. Os moleques que eram de confiança valiam ouro, sabiam entrar nas casas sem deixar rastros e não saiam falando por aí o que faziam. Guida já tinha testado vários meninos, mas ninguém chegava aos pés do trio formado pela Baixinha, por Ismael e pelo Alho. Não havia casa em que os três não conseguissem entrar por alguma janela mal fechada.” São meninos indefesos, sofredores e inteligentes que conseguiram sobreviver às constantes ameaças e às histórias que circulam nas ruas, onde se fala de um médico que anda pelo Onze, bairro pobre de Buenos Aires, cuidando das crianças, oferecendo casa e comida em troca de passar uma noite com elas; onde as meninas são levadas para o Norte e nunca mais voltam; onde policiais usam as crianças como bucha de canhão. Mas não deixam de ser meninos e a infância adiada se manifesta, de uma forma ou de outra. E é precisamente nessa área que Lucía Puenzo mostra todo o seu talento narrativo. “Ismael se afundou na poltrona, mas não fechou mais os olhos, nem essa noite, nem nenhuma outra. Observou o jeito que o bicho cuspia os ossos da sua presa. Aplaudiu ao ver o crânio ser cuspido. Ouviu um chiu! da parte da frente. O lanterninha tirou o garoto da sala e o enfiou no banheiro masculino. – Você quer me meter em problema? Ismael respondeu que não, ainda excitado pelas imagens. – Esse bicho – balbuciou – ele existe? O lanterninha olhou para ele primeiro desconcertado, depois com uma ternura que havia décadas não sentia. Encontrou no garoto o depositário silencioso de uma cultura cinematográfica transbordante.” A inocência impõe-se para dar o tom deste romance fascinante, perfeitamente estruturado em dois planos da realidade; por um lado estão os adultos absolutamente corruptos e por outro as crianças, controladas pelo medo que supera a desconfiança, empurradas pela sensação de oportunidade que não lhes permite vislumbrar plenamente os verdadeiros perigos. Talvez se trate de algo muito mais profundo e complexo, algo a meio caminho entre o desamparo que as obriga a correr sempre para nenhum lugar e a descrença de quem se apega à necessidade de ser feliz apesar de tudo. Como acontece no momento em que as crianças veem o mar pela primeira vez e mergulham para abraçar uma alegria intensa mas ao mesmo tempo efêmera. Mas primeiro é preciso convencê-los a ir ao Uruguai pelo Delta do Rio da Prata, com a promessa de ganhar muito bem em seis dias de trabalho de arrombamento de casas diferentes, dentro de um mesmo condomínio onde estão proprietários, cães treinados e câmeras de segurança. Vigiados por um homem que lhes dá instruções através do celular, os três meninos são jogados no meio do condomínio e roubar conforme combinado parece fácil. Alho é capaz de entrar nas casas pelos lugares mais inesperados. Só que nem sempre as casas estão desocupadas, em alguns casos há famílias inteiras com crianças que tiveram a sorte de nascer com todas as regalias possíveis. “Abriu uma das mochilas e tirou um tênis novo que ele mesmo tinha roubado da casa. Era metalizado e aerodinâmico, as solas brilhando com luzes que pareciam minúsculas cápsulas espaciais. Descalçou as galochas. Quando pôs o tênis, ficou paralisado ao ver que o cadarço amarrava sozinho, enquanto a palmilha se ajustava ao formato dos seus pés. Já tinha assistido toda a franquia de De volta para o futuro na mostra retrô de um cinema no Once, mas jamais imaginou que os tênis inteligentes realmente existissem.” E é a partir daí que ocorre uma reviravolta no romance, uma virada que Lucía Puenzo propõe de forma muito original na trama. Tão literário quanto cinematográfico Os Invisíveis é um livro comovente e trágico. O seu final obriga-nos a meditar sobre a palavra infância e às responsabilidades que cabem aos adultos.

Sobre Lucia

Lucía Puenzo (Buenos Aires, 1976) é escritora e cineasta. Formou-se em Letras e estudou no Instituto Nacional de Cinema (INCAA) de Buenos Aires. É autora de vários romances, roteirista de longas-metragens, documentários e minisséries para TV. Em 2010, Lucía Puenzo teve um conto seu selecionado para a primeira edição de Os Melhores Jovens Escritores em Língua Espanhola da prestigiosa revista literária inglesa Granta. Em 2015, sua série de TV CROMO foi selecionada como a única participante latino-americana na recém-criada seção Prime Time do Festival de Cinema de Toronto. O trabalho mais recente de Puenzo vai do cinema à televisão e inclui O Médico Alemão (Wakolda), bem como a exibição na Amazon Original de La Jauría (A Matilha). Pela Gryphus Editora lançou O Menino Peixe (2009) e O Médico Alemão (2014).

Detalhes do livro

Título
Os InvisíVeis
Autor
Lucia Puenzo
Editora
Gryphus
Ano
2026
Páginas
160 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9786586061703
Edição
1ª Edição - 2023
Formato
Brochura

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