Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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Este livro trata da intrincada relação entre música popular e poder político no Brasil. O olhar atento do historiador e sociólogo Adalberto Paranhos se volta para o governo Vargas, particularmente para o chamado Estado Novo. Ele analisa, num texto impecável, de que modo os agentes do poder estatal empreenderam ações para disciplinar os compositores populares, em especial os vinculados ao mundo do samba, buscando compatibilizar o conteúdo de suas músicas com a ideologia oficial do “trabalhismo”, orientada para a construção de uma nova ética do trabalho sintonizada com um projeto modernizador e nacionalista. Naqueles tempos, o enaltecimento da boemia e da vadiagem figurava numa parcela expressiva de sambas produzidos e veiculados pela indústria fonográfica e pelo rádio, o que incomodava profundamente os agentes do regime. Para promover a “higienização poética do samba”, o governo implementou, principalmente por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda, medidas como a promoção de concursos de sambas carnavalescos e a prática da censura. Porém, esse processo de dominação não se deu sobre um terreno livre de obstáculos. Ao passar em revista um amplo repertório musical do período, o autor revela que tais ações ocorreram num campo contraditório marcado por apropriações, ressignificações, disputas e conflitos. A partir dessas relações é que a música popular brasileira foi se reconfigurando, tanto do ponto de vista formal como em conteúdo, mas sem perder seu potencial de emissão de vozes dissonantes e, em determinados momentos, de narrar a história a contrapelo.
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